Quem avisou amigo foi.

Apenas o tempo, um longo tempo, consegue curtir o couro da alma de um jornalista. Mesmo assim, a amargura permanece como se as lições da vida nunca fossem aprendidas. E apreendidas. É a mesma sensação de um pai diante dos filhos: não importam advertências, não importam avisos, não importam experiências – filhos têm que quebrar a cabeça sozinhos. E a população de uma cidade, de um país, também e de certa forma, diante dos brados da imprensa.

Esta crise da Unimep foi anunciada, em verdadeiras crônicas da morte anunciada, para parodiar o título da obra imortal de Garcia Márquez. Pelo menos, de minha parte e como veterano jornalista e observador de minha terra, percebi, no ar e nos sussurros de bastidores, o perigo que nos rondava a todos, porque, insistirei sempre, a Unimep é de todos. Richard Senn, no dia da instalação da Universidade, proclamou para que todos ouvissem, inclusive Davi Barros que lá estava como secretário Geral, na solenidade de instalação: “A Universidade é de Piracicaba.” E é. Metodista e de Piracicaba.

Pois bem. Dei-me ao trabalho de, nos arquivos de A Província, buscar quando a percepção de mudanças, de traições, de desvios de rumo começou. Foi no dia 22 de agosto de 2006, oportunidade em que escrevi a crônica, no “Bom dia”, intitulada “O estoicismo de Almir Maia”. Havia sombras no ar, cheiros conhecidos de farsas e de engodos. Adverti em relação ao “cheiro álacre da injustiça” que se alinhavava. Isso, muito antes de se dar a indicação de Davi Barros para a reitoria e a direção geral, somatório de poderes também previsto aqui.

No dia 12 de setembro de 2006, alinhavei o artigo “Unimep, crise e tendências”, mostrando os riscos que se iam tornando cada vez mais próximos de se concretizarem, a influência, na Igreja Metodista, dos defensores de “igrejas e de universidades de mercado”, tendo Davi Barros como aliado mas, ainda, com suas armas escondidas, intenções dissimuladas e mentiras articuladas, como as que pronunciou em seu discurso de posse negando “demissões em massa”. Davi Barros perdeu o respeito já no dia de sua posse.

No dia 15 de setembro de 2006, nova observação, nova opinião, a perplexidade aumentando, os receios já causando indignações ao anunciar, em artigo, que estava a “Unimep, na encruzilhada”. E a encruzilhada era manter a dignidade de sua história, de seu passado, de seus ideais forjados no “Ide e Ensinai” evangélico da Igreja Metodista – ou mediocrizar-se, mercantilizando-se. Ora, ainda na leve esperança de Davi Barros – por ser piracicabano, quando tentei lhe chamar a atenção para isso e forçar um voto de confiança – aproveitasse a encruzilhada no verdadeiro sentido que ela tem: lugar de reflexão, de escolha, de optar, na cruz de caminhos, por aquele que seria o correto. Davi Barros optou pelo mercantilismo e está levando a Igreja Metodista a uma crise de credibilidade como jamais se viu em toda a sua história desde a semente plantada, há quase 150 anos, em Santa Bárbara d´Oeste e Piracicaba.

Não se diga, pois, que estou, como jornalista, analisando e protestando e clamando no vácuo. A função jornalística é profética, no sentido de ver antes, de poder prevenir, de avisar. Ora, se quem avisa amigo é, avisei e amigo sou. Mas não amigo dos querem destruir a construção de honra em cujos alicerces se ergueu a Unimep.

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