Roberto Carlos e assemelhados.

Roberto Carlos conseguiu, na Justiça, a censura ao livro que pretendeu mostrar alguns aspectos da sua biografia. O autor, Paulo César de Araújo, fez um exaustivo trabalho acadêmico sobre a caminhada do “Rei”. Quando a obra se tornou pública, Roberto Carlos pediu e conseguiu a apreensão da obra nas livrarias. Foram cerca de 11.700 livros recolhidos, conforme se divulgou.

Roberto Carlos, – como muitos homens públicos e políticos – parece não ter-se dado conta de vivermos em novos e outros tempos na universalizada comunicação humana. Recursos e tecnologia criam realidades novas e exigem reflexões mais profundas de governantes e dirigentes. O mundo já ingressou, de maneira irreversível, na era da comunicação eletrônica e nunca, como agora, a democratização dos meios se tornou tão evidente e poderosa. Foi isso que Roberto Carlos se esqueceu. E o livro, recolhido das livrarias e impedido de circular em forma impressa, está na Internet, multiplicando-se, alastrando-se, sendo impossível avaliar quantos milhares ou milhões de acessos produziu. Quantos, dos que já viram o livro na Internet, tê-lo-iam adquirido em livrarias? Ou saberiam dele veículos impressos?

Esse desastre de Roberto Carlos encontra assemelhados na área política, de Piracicaba, especialmente entre os atuais dirigentes municipais que, mesmo antes de chegarem ao poder, diziam para o que vinham, auxiliados pela boa fé de grande parte do eleitorado. Já haviam conseguido a censura do jornal “O Democrata”, então do jovem jornalista Alexandre Neder, evitando a divulgação de uma fita onde se revelava a promiscuidade com empresários financiadores de campanhas de forma ilícita. O jornal foi impedido de circular. A Província, em forma impressa, divulgou tudo algum tempo depois. E denunciou escândalos na Prefeitura

Os atuais governantes municipais conseguiram, junto à Justiça, a censura do Jornal de Piracicaba, tentando silenciar este jornalista. Censuraram apenas o JP. Na verdade, os censores temiam e temem o quanto este jornalista sabe de sua história e da história política de Piracicaba, feita de muitas belezas, sim, mas também de misérias abomináveis. São incapazes de entender que democracia exige seriedade e decência na política e na administração. Que, como já dissera Lincoln, “não é possível enganar a todos todo o tempo.” Querem “parceiros” nas sombras.

O engano é, agora, maior do que sempre. E mais grave. Quem suportou pressão de militares, de bancos, de ditadores, de homens bons mas fracos – em épocas apenas de jornal impresso, com custo altíssimo como é ainda hoje – não iria sujeitar-se, submeter-se ou calar-se agora, quando o Outono chegou, quando o Inverno se aproxima. Hoje, a Internet democratizou a informação, a comunicação. E o custo de um jornal eletrônico é tão pequeno que não há pressão ou coação de ordem econômico-financeira que consiga destruir idéias, ideais e, acima de tudo, a responsabilidade diante de um dever. E de uma missão.

A Internet mudou tudo. Uma simples informação multiplica-se de forma espantosa, dissemina-se viroticamente. É um processo incontrolável. E impossível de ser contido ou interrompido por homens públicos de má consciência. A amarga lição de Roberto Carlos deveria ser melhor entendida por políticos. Especialmente, se tão frágeis e de história turva como alguns de Piracicaba.

Deus me deu a graça de ter sobrevivido para conhecer e participar desse novo momento, tão confuso em alguns aspectos, mas tão promissor e alvissareiro em quase todos os outros. A PROVÍNCIA tem apenas um sonho: tornar-se como que uma enciclopédia de Piracicaba. Mas, para isso, precisa também ladrar. Veja-se o exemplo de um bibliotecário: ele cuida dos livros. Mas tem que enfrentar baratas, ratos, insetos, que costumam destruir o belo e o bom do ser humano.

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