Terça feira gorda, Superterça

No Brasil, vive-se a mais monumental farra coletiva do planeta, milhões de pessoas sambando, dançando, suando, cantando em praticamente todas as grandes e médias cidades brasileiras. É uma explosão de vitalidade, de erotismo e alegria como não se vê, em tais proporções, em qualquer lugar o mundo. Mais do que alegria do povo, porém, é festa turística, a libertação de instintos que atrai estrangeiros de todas as partes do mundo. É um Brasil dionisíaco, em contraposição a um outro Brasil, que se esfalfa na luta e no trabalho, um Brasil apolíneo.

Em contraposição, o mundo volta os olhos para o que ocorre nos Estados Unidos, na inquietação de cada campanha eleitoral, na fase quase decisiva da chamada Superterça, quando os partidos Republicano e Democrata como que definem os seus candidatos à sucessão dessa tragédia universal que leva o nome de George W. Busch. Como foi possível – pergunta, ainda, o mundo – que um país que forneceu tantas lideranças universas, um país com tal nível de desenvolvimento pudesse ter elegido, para presidente desta maior nação do mundo, a dinastia Bush, pai e filho? O que acontecerá depois do Bush Jr?

O contraste entre a grande festa brasileira e a imensa apreensão em torno das eleições estadunidenses revela, também, a diferença de óptica diante do mundo e de opções de vida. O Brasil ainda engatinha; os Estados Unidos, perigosamente para todos, desaceleram. Ainda se diz que, quando acordar, o Brasil estremecerá o mundo. Por enquanto, um soluço dos Estados Unidos, um cochilo, um respiro mais forte abalam as estruturas universais.

A terça-feira gorda brasileira não consegue ocultar, com toda a alegria e com todo o suor despendido pelo povo, a apreensão e o medo mundiais em torno das pré-eleições dos Estados Unidos. Enquanto os liderados brincam, os líderes tentam desfazer nós.

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