Um analfabeto na Corte do Rei Artur

Nestas décadas de jornalismo, cuidei para jamais faltar com o respeito à inteligência do leitor. E sei haja leitor de meus rabiscos estranhando a minha quase fúria contra o que tem ocorrido na imprensa brasileira, a grande farsa, a grande mistificação, numa escandalosa manipulação do antigamente sagrado dever de informar e de formar. O sempre respeitado Millôr Fernandes disse, com a genialidade de sempre e no auge da ditadura militar: “jornalismo é oposição. O resto é balcão de secos e molhados.” Hoje, já não se pode mais dizer o mesmo, pois o balcão de secos e molhados ampliou-se, um imenso balcão de interesses onde até mesmo ser oposição faz parte desse mercado.

Não é justo, não é honesto, não é decente, não é digno, não é civilizado, não é democrático, não é patriótico, não é nem sequer inteligente esse verdadeiro terrorismo contra o presidente Lula, contra o Brasil, contra as Olimpíadas, contra a Petrobras, contra o Pré-Sal. Essa é uma selvageria própria do mercantilismo, mas o Brasil – com o presidente Lula e seus principais assessores – se colocou acima do mercado, começa a se tornar uma nação, nosso sonho acalentado há séculos. Deixemos que os corruptos se extingam por si mesmos, que morram nas urnas. Mas não é oposição o que se faz ao Presidente Lula. Trata-se de uma sórdida, covarde e pérfida luta de grupos atingidos em seus privilégios, incomodados em suas zonas de conforto. Se mais de 80% dos brasileiros se manifestam confiantes em seu presidente, se o mundo o aclama como um estadista, se o Brasil se impõe e passa a participar do verdadeiro concerto das nações, não é decente nem justo que sempre as mesmas pessoas – agora incluindo o sempre gracioso Caetano Veloso – sejam usadas para tentar desmoralizar toda uma nova caminhada brasileira, que se vai mostrando gloriosa.

Ser de oposição é, jornalisticamente, estar vigilante, atento, com senso verdadeiramente critico. Esse homem, Luiz Ignácio Lula da Silva, merece respeito. E o Brasil honesto tem, como responsabilidade moral, o dever de lhe prestar esse reconhecimento. A história pessoal desse homem é um exemplo admirável e não há como negar-lhe seu profundo amor ao Brasil, essa sua solidariedade para com os mais sofridos, exatamente as vítimas de grupos centenários que resistem a mudanças. Há que ser muito obtuso ou maldoso demais para negar evidências tão claras.

O “Estadão”, tratando leitores como se fossem idiotas, deu um golpe mortal em si mesmo ao usar, cruelmente, a conhecida histeria mental de Caetano Veloso para agredir Lula, justamente no dia em que o presidente da República do Brasil recebia, em Londres, o título de líder mundial, de Estadista do Ano, sendo recebido com visíveis respeito e admiração pela Rainha da Inglaterra. A Caetano Veloso, uma imprensa séria, honesta e responsável deveria dar a importância que se dá ao sapateiro quando ele discorre sobre sapatas.

A historieta é conhecida: numa exposição de pintura, o sapateiro, diante da grande obra de arte do pintor, fez críticas às sapatas do modelo. E mostrou, ao pintor, que ele errara no desenho das chinelas . O pintor agradeceu a correção. Mas o sapateiro insistiu em fazer novas críticas: ao rosto do modelo, aos cabelos, às mãos. Foi quando o pintor o colocou em seu devido lugar: “Sapateiro, não vá além das sapatas.” O “Estadão”, não estivesse envenenado de tanta aversão idiossincrática deveria, simplesmente, ter deixado Caetano Veloso em seu justo lugar: “Caetano, não vá além de seus shows.”

É atentatório à inteligência todo esse esforço de alguns meios de comunicação para mistificar, manipular, sonegar informações, adulterá-las, mudá-las. O “Estadão”, dando espaço a Caetano para chamar Lula de analfabeto, usou dos conhecidos tremeliques do já idoso cantor e endossou a ofensa grosseira. Mas não conseguiu ocultar que, na Inglaterra, um presidente analfabeto foi recebido com honras e pompas na Corte do Rei Artur.

Nos Estados Unidos e no mundo civilizado, um presidente da República é respeitado pelo povo, seja ele quem for. Até George W.Bush era Mr.Presidente. Lula, como pessoa e como presidente, merece esse respeito. Ele é o presidente do Brasil, o Sr. Presidente.

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