Um convicto e sua doutrina expiatória.

Muitas pessoas têm acompanhado o desenrolar da crise da Unimep. Alguns não conseguem emitir opinião e sentem-se confusos com o grande volume de informação que recebem pela campanha de difamação lançada pelo Diretor Geral do IEP e Reitor da Unimep contra aqueles que demitiu.Certamente, tal campanha de difamação é o mecanismo através do qual tenta justificar o conjunto de ações que vem se desenvolvendo sobre seu exclusivo comando frente à Unimep.

É difícil explicar o que está ocorrendo em poucas laudas, mas diante da gravidade do problema, não nos furtaremos à tarefa. Trata-se, evidentemente, de nosso olhar para o problema, sem a pretensão demonstrada pelo Reitor, da verdade convicta. Aqui é importante nos lembrarmos de Friedrich Nietzsche ao afirmar que as convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras.

Se olharmos para a Unimep como uma empresa prestadora de serviços e, neste contexto, tendo como principal objetivo a obtenção do “lucro” fica mais fácil entender os argumentos que vêm sendo utilizados pelo senhor Reitor.

Contudo, é necessário que se olhe para a Unimep como uma Universidade construída sobre a utopia de que se poderia buscar a formação do cidadão como objeto primeiro, reconhecendo que, recursos financeiros, uma estrutura de cobrança de mensalidade de seus estudantes e o pagamento de salário ao seu Corpo Acadêmico-Administrativo seriam necessários.

Neste cenário, em que o objetivo principal era o da formação acadêmica de qualidade, regulamentos, estatutos e regimentos foram concebidos e constituíam-se, até a chegada do Senhor Reitor, no conjunto de normas que regulamentavam todos os processos e políticas da Unimep.

A Unimep tinha um documento Maior, denominado “Política Acadêmica” donde derivavam todos os demais. Suas balizas centrais eram a “construção da cidadania enquanto patrimônio coletivo da sociedade civil” e a indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão”.

Com tais referências os Coordenadores de Curso e Diretores de Faculdade eram conduzidos aos seus mandatos a partir de processos amplos de consulta à comunidade que iriam liderar. As decisões eram tomadas em órgãos colegiados, pois não poderiam derivar da convicção apenas de uma pessoa. Se assim o fosse, as referências da Política Acadêmica, que tanto nos orgulha, não seriam contempladas.

Este projeto deu certo e hoje a Unimep é uma Universidade de reconhecido mérito acadêmico, formou grande parte daqueles que lêem este texto e vinha cumprindo seu papel, de contribuir, de maneira efetiva, para a formação dos cidadãos.

É verdade que a utopia Unimepiana requeria recursos financeiros e, de algum modo, chegamos a um desequilíbrio nas nossas contas que, tão logo percebido, contou com o apoio de toda comunidade acadêmica para ser debelado, e vinha sendo.

A questão é que a fragilidade financeira fez com que as idéias preconizadas pelo senhor Reitor fossem ouvidas por aqueles que, como ele, tinham um outro projeto para a Unimep.

Aproveitando-se dos baixos salários recebidos pela população em geral, o senhor Reitor usa, em sua defesa, o salário recebido por um dos demitidos como exemplo de um dos males ou pecados que ele quer expiar, qual seja: a, segundo ele, exorbitante remuneração docente praticada nesta Universidade. Esquece-se, no entanto, de esclarecer que tal salário composto, inclusive, por horas-extras foi legitimamente conquistado durante quase trinta anos de trabalho árduo e de fundamental importância para o projeto de Universidade ora desmantelado.

Para não errar o alvo, o senhor Reitor faz o jogo comercial de quem compra um bem perecível, dizendo que os pais de nossos estudantes não podem sustentar tais salários, mas não explica a esses mesmos pais como a formação acadêmica, até hoje recebida pelos seus filhos, será sustentada pelo Projeto de Universidade por ele pretendido.

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