Uma Israel nazista?

O governo de Israel informou a comunidade internacional que nada tem contra o povo palestino; pelo contrário, respeita-o. Sua luta, segundo o mesmo governo, é contra o Hamas, tido como organização terrorista. No entanto, comete condenáveis, imperdoáveis e insuportáveis crimes de guerra, bombardeando hospitais, universidades, matando civis e, indiscriminadamente, mulheres e crianças.

Segundo esse mesmo raciocínio, a comunidade internacional e os povos horrorizados com a tragédia na Faixa de Gaza podem, muito bem, dizer que nada têm contra o povo judeu, mas que sentem desprezo pelos governantes do Estado de Israel que, como se a história se vingasse, parecem encarnar o espírito de Hitler, uma nova versão nazista justamente aos que foram vítimas de um monstro que perpetrou o Holocausto.

A história dessa tragédia tem sido mal contada pela imprensa mundial em quase sua totalidade e, também, por governantes e formadores de opinião. Poupa-se Israel como se a monstruosidade cometida por Hitler tivesse dado ao povo judeu, de forma indiscriminada, indulgência plenária absoluta, isentando-os de quaisquer culpas e responsabilidades. Ainda hoje, historiadores tentam provar que Hitler somente foi possível por ter contado com o apoio maciço do povo alemão, que aprovou sua ideologia e que abraçou com firmeza e convicção seus planos de governo e busca de “espaço vital”. A própria estúpida noção de superioridade da raça ariana foi encampada pela maioria dos alemães. E, de maneira semelhante, há que se admitir esteja, o povo de Israel, concordando com a crueldade e o espírito genocida de seu governo, que repete, em desumanidade e em escala ainda menor, a loucura nazista.

O mundo, com seus protestos tíbios, está em silêncio, sim. Israel não respeita decisões da ONU, não respeita acordos, não aceita propostas de paz e se impõe pela força. O ex-embaixador brasileiro Affonso Arinos de Mello Franco –uma das mais lúcidas Inteligências da diplomacia mundial – foi incisivo e claro ao dizer, ainda que em seu nome pessoal: “É uma guerra declarada por Israel que está cometendo graves e imperdoáveis crimes de guerra, atingindo alvos civis e matando a população civil.”

Dizer que o Hamas palestino é um grupo terrorista é dizer pouco e, em algumas vezes, apenas sofismar. A origem de Israel como nação se deveu a grupos judeus então também tidos como terroristas que, ao chegarem ao poder, se tornaram notáveis estadistas. Charles De Gaulle, ao resistir ao domínio e à invasação nazista na França, foi tachado e perseguido como comunista, para ser reconhecido, depois, como um dos mais extraordinários líderes do mundo ocidental. Yasser Arafat, que Israel também catalogou como terrorista, ganhou o Prêmio Nobel da Paz, por sua resistência em defesa da identidade da Palestina.

Essa história, em que Israel é useira e vezeira em cometer crimes de guerra e de lesa humanidade, continua mal contada. Alegar que o Hamas solta foguetes contra cidades israelenses é de um farisaísmo que atenta contra a inteligência mundial. Pois a Faixa de Gaza está bloqueada, interditada, anulada por Israel, sem acesso a bens primários desde quando os poucos meses de pausa nas escaramuças foi declarado. É um povo prisioneiro em sua própria terra e o Hamas foi legitimado por eleições livres. Mesmo, porém, que se tomasse como premissa verdadeira e justa que o Hamas provocou o estado de beligerância, Israel não teria e não tem o direito de matar indiscriminadamente civis, mulheres e crianças. Ou o governo israelense enlouqueceu ou, por ironia da história, o espírito de Hitler está implantando o nazismo dos tempos modernos, o nazismo à Israel.

O governo de Israel está, aceleradamente, fazendo com que a humanidade se esqueça do Holocausto causado por Hitler para se preocupar, agora, com o Holocausto promovido pelo governo judeu. A História, realmente, se repete como farsa. Lembremo-nos de que Inglaterra, França, Estados Unidos se uniram para conter a fúria enlouquecida da Alemanha Nazista. Nada haverá de estranho se Irã, Síria, Jordânia, Cisjordânia, Egito se unirem com o neo-nazismo de Israel. Há que se ter coragem para ver, analisar, pensar e dizer.

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