Unimep e “golpe do baú”

Davi Ferreira Barros, agindo em nome de um Conselho Diretor regido pelo pragmatismo do mercado, parece não perceber que está nos limites da legalidade e, portanto, assumindo a responsabilidade de transformar a crise da Unimep também em “caso de Polícia”. Quando a má fé entra em cena, o que poderia ser tido como algo culposo ser torna doloso. E Davi Barros está agindo de má fé, tanto em relação a professores como em relação à comunidade a que a Universidade serve há mais de 40 anos, desde os tempos da ECA.

Davi Barros declarou, abertamente, que dispensaria professores sem ter cuidar da responsabilidade legal de pagá-los conforme a lei. Esse é um claro “golpe do baú”, de quem joga com a lentidão das questões trabalhistas ou com ritualismos processualísticos. Além disso, Davi Barros é o responsável pelo verdadeiro e completo estelionato moral que se está intentando contra a sociedade como um todo, contra alunos e familiares deles e, especialmente, contra Piracicaba. Pois Davi Barros está liquidando, matando a universidade, jogando fora o maior patrimônio – que é o nome Unimep e seus princípios – para instalar simplesmente um conglomerado de faculdades mediocrizadas mas protegidas pelo estatuto universitário. Davi Barros e o Conselho Diretor agem de má fé pois não têm a coragem de revelar que o objetivo é “matar” a Universidade, criando simples escolas, colegiões, protegidos pelos nomes honrados de uma igreja, a Metodista, e de uma cidade, Piracicaba.

O “golpe do baú” já foi dado nos alunos que prestaram exames vestibulares, acreditando virem a ingressar numa universidade de alto nível – como foi, até antes da mediocrização atual – mas vendo se lhes abrirem, agora, apenas as estreitas portas de um centro de faculdades como tantas das que existem por aí. Pois, se Davi Barros se esqueceu, seria necessário alguém lembrar-lhe ou lembrar à nova cúpula da Igreja Metodista, muito mais próxima de seitas evangélicas do que de respeitáveis e respeitosas instituições eclesiais: Universidade é um complexo que compreende não apenas ensino de altíssima qualidade, mas também, ou especialmente, pesquisa e extensão. Sem pesquisa e sem extensão, não há universidade. Com Davi Barros, não há mais Unimep. Não é a dívida que a mata, mas a filosofia medíocre e vulgar.

Veja-se o exemplo magnífico que acaba de ser dado, em Piracicaba, pelo professor Dorival Bistaco (Anglo) que traz, a Piracicaba, a Fatep (Faculdade de Tecnologia de Piracicaba). É faculdade, uma escola de ensino superior sem pretensões a universidade. Ou veja-se a Anhangüera, assumidamente um centro universitário, não uma Universidade. E vejam-se faculdades pululando em todos os arredores de Piracicaba. Seus proprietários têm a dignidade de não camuflar o que oferecem e o que pretendem. Não usam o nome de Universidade para o que não é universidade. E Davi Barros está matando a Universidade Metodista de Piracicaba, aquele que já não é mais o que existia antes dele, assemelhando-a a um terreno pisoteado por Átila e seu bando de hunos. Por onde eles passavam, dizia-se, nem a grama voltava a crescer. Davi Barros está fazendo isso com a Unimep.

Só que esse “golpe do baú” está próximo de se tornar um caso de Polícia. Qualquer pai de aluno, menor de idade, teria, hoje, o direito de ingressar em juízo contra um estelionato moral que se pratica, à luz do dia, sob a intervenção de Davi Barros. Podem anotar: agora, são ações trabalhistas, questões de justiça do Trabalho; a partir de agora, poderá ser na esfera criminal. Incluindo o Código de Defesa do Consumidor, por que não? A Unimep não entregará mais, com Davi Barros, a excelência de ensino, pesquisa e extensão que ofereceu e que propôs. Além de tudo, é propaganda enganosa. Ou a Igreja Metodista, por sua ala fiel a Wesley, não percebe que, além da traição, há mentiras criminosas, ainda mais difíceis de suportar por serem feitas sob o disfarce de instituição confessional?

Essa história parece a do pastor que, no púlpito, prometia os céus e o paraíso, após a morte, aos que seguissem seus ensinamentos em vida. Mas, por via das dúvidas, vendia seguros de vida aos fiéis… Assim, quando morressem, iriam para o céu com saúde. Isso, de alguma forma, está acontecendo no Conselho Diretor da Unimep.

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