Universidade para poucos.

O que Davi Barros e a nova cúpula metodista fazem em relação à universidade nada mais é, na verdade, do que acompanhar o Brasil. Pois, em relação à educação, o Brasil começa, finalmente, a escolher seu caminho. E, como sempre, é o mais cômodo: nivelar por baixo. Por ser mais fácil, estamos vendo instalar-se oficialmente a mediocridade. E isso ficou claro desde o governo de Fernando Henrique, continuando no de Lula, com a demagógica e enganosa propositura: “Universidade para todos.” O que significa isso?

Fossem menos preguiçosas e mais responsáveis, as inteligências lúcidas enfrentariam discursos de palanques mostrando que é o contrário: universidade não é espaço para qualquer pessoa, mas o lugar dos melhores cérebros, das mais férteis inteligências, elites pensantes. Essas independem de cotas, de cor, de credo, de sexo. E de preços de anuidades, conforme as leis do mercado.

Ora desde a Colônia, as famílias brasileiras vivem a “síndrome do doutor”, a luta por um filho com diploma universitário. Não se fala em talento. Por isso – na banalização dos “doutores” – a sociedade brasileira aceitou forjar-se também por falsos intelectuais, falsos cientistas, por homens medíocres que, tendo diploma, paralisaram o país com a sua incompetência e mediocridade. Insista-se: a Universidade é para quem tem talento para o estudo, para a pesquisa . Logo, para uma minoria que sempre será minoria em todos os países do mundo.

Dirão, alguns, tratar-se, esta, de uma visão elitista. E é mesmo. Pois universidade é lugar onde se agrega a elite pensante de um país, a elite científica de uma nação. É tolice demagógica acreditar-se que “todos são capazes de tudo” ou que “todos podem tudo”. Não é verdade. Dentro de nossas famílias, temos exemplos vivos nos próprios filhos: uns são vocacionados para os estudos, para a universidade; outros sentem-se infelizes à simples idéia de freqüentarem bancos escolares.

Também tolamente, insistimos em sentido e significado apenas pejorativos da palavra elite. O Brasil não é vítima de elites. Fomo-lo, no passado. Hoje, é o contrário: paga-se o preço da falta de melhores, de a sociedade nivelar-se pelo rés do chão. Elites – se entendidas, apenas, pela perspectiva de Mosca, Pareto e outros – serão, sim, minorias quase exclusivas, detentoras de poder, sempre odiosas, sementes de totalitarismos e governos aristocráticos. Elite, no entanto, também é aquilo que há de melhor e de mais valorizado numa sociedade, num grupo. Seleção de futebol é formada pelos melhores, pela elite de jogadores. A Polícia tem atiradores de elite. Até entre bandidos, há uma elite. Mas, à universidade, nega-se o direito de viver a sua própria razão de ser: uma elite do saber, lugar dos melhores, independentemente de cor, credo, origem social. Para a inteligência, não há cotas. Para a inteligência, não há preço. Justificar uma universidade pelos custos de seus cursos é usar de má fé, estelionato lesa pátria.

Transformar a universidade em simples colegião é o primeiro passo para matá-la. E essa parece ser a escolha também em Piracicaba: de um centro de excelência do saber, a universidade seria pronto-socorro dos ensinos do primeiro e segundo graus. Não se fala em pesquisa, em ciência. Fala-se em dar diplomas para possibilitar melhores empregos. Seria mais honesto fazer o contrário: deixar de exigir diplomas universitários para atividades simplesmente técnicas.

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