Vaticano, Wesley, flagelo de Deus.

A notícia foi divulgada com entusiasmo pelos veículos de comunicação, saudando a boa nova, o movimento, a fraternidade, a busca de fundamentos comuns da fé cristã entre católicos e metodistas. Aconteceu recentemente, no dia 3 de dezembro de 2007: o Concílio Mundial Metodista promoveu – na Igreja de São Paulo Extramuros, no Vaticano – uma celebração ecumênica recordando os 300 anos de nascimento de John Wesley.

A Agência Saint –Italia informou (tradução nossa):

“Participam altos representantes metodistas e anglicanos, sendo presidida pelo Cardeal Walter Kasper, do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, e o Rev. John Barret, presidente do Concílio. O Cardeal comentou: ”Há alguns anos, algo assim era impensável (…) não significa que amanhã haja unidade com os metodistas, seria ingênuo pensar nisso, mas se vê que algo se move, é evidente.” O Rev.John Barret disse, referindo-se a Carlos Wesley: “Seus hinos sabem conciliar a linguagem eloqüente e a profundidade teológica das escrituras com a fé da igreja através dos séculos, contêm temas que refletem a convergência entre metodistas e católicos sobre aspectos fundamentais da fé cristã. Alguns destes hinos se cantam em ambas as igrejas. Seus hinos são um dom e se prestam à plena comunhão na fé, na missão e na vida sacramental que é o objetivo do diálogo entre metodistas e católicos.”

Uma das personalidades de maior destaque nesse diálogo ecumênico é o bispo emérito Paulo Ayres, com tantos serviços prestados também à Unimep e ao Conselho Diretor, com sabedoria e cultura invejáveis. Portanto, o que se observa, com tristeza e amargura, é a mediocrização da Igreja Metodista a partir de sua cúpula dirigente no Brasil, com reflexos desastrosos para Piracicaba e a Universidade, um posicionamento retrógrado que destoa dos esforços de diálogo e de comunhão promovidos, em nível mundial, por igrejas cristãs tradicionais.

Essa mediocrização é especialmente amarga para os piracicabanos por sua dimensão histórica e por um passado de conquistas e de clarividência, já que a Igreja Metodista foi a terceira a ser instalada no Brasil, fundada em 1881. A Igreja do pastor Kenneddy e do Rev. Kroger e o colégio criado por Martha Watts são raízes sólidas do Metodismo sério, lúcido, dialogante que fincou raízes em Piracicaba e avançou pelo Brasil. Por isso, a ação deletéria e descontrutora desse modismo eclesial metodista que tem Davi Barros e sua equipe como líderes não pode ser aceita passivamente. Não se trata apenas ou tão só de questões internas da igreja. Trata-se de sua repercussão na universidade, de suas relações com a comunidade.

Na Unimep e no IEP, instalaram-se fanáticos que representam o que há de mais passadista e retrógrado nesse Metodismo que, na verdade, tem abrangência e respeito universais. A ação dessa gente, liderada por Davi Barros e tendo Paulo Borges como fiel escudeiro, é iconoclasta. Mais do que isso: é ação destruidora, como se uma horda de hunos tivesse atropelado a instituição que geme dores de agonia. Enquanto Wesley é celebrado em união ecumênica no Vaticano, Piracicaba e a Unimep vêem a destruição assemelhada à dos hunos, ao comando de um Átila competente apenas na crueldade. Cada turba de hunos tem o Átila que merece, sempre um Flagelo de Deus.

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