Vozes sábias, desumanidade de fanáticos.

O mundo do espetáculo – onde quase tudo parece ser apenas virtual -acabou transformar, realmente, em objeto o ser humano que, na verdade, é o sujeito da história. Vimos, nos últimos anos, buscando refletir em torno dessa estupidez galopante e suicida, que deturpa e desfigura até mesmo instituições. Ora, já se sabe – desde os primeiros pensadores ainda no Iluminismo – que as sociedades e nações não se constroem apenas com virtudes pessoais, mas com a retidão e a seriedade de suas instituições. Estas, se sólidas, são formadoras de pessoas e têm instrumentos de defesa capazes de refrear e impedir a derrubada de alicerces.

No espetáculo mundial, até mesmo igrejas se transformaram em empreendimentos lucrativos, comerciais e mercantilistas, na exploração da boa fé, ingenuidade e até mesmo desespero dos humanos massacrados pela moenda de valores. Em nome de Cristo, de Buda, de Maomé, de Jeová, há igrejas que se rivalizam com empresas comerciais na produção e na obtenção de lucros. E o conflito, que deveria existir, entre valores espirituais e materiais acaba por ser harmonizado com argumentos capciosos e justificativas muitas vezes infames. Em nome de Deus, tudo tem sido justificado. Até mesmo lucros obtidos com o sacrifício de almas e o martírio de pessoas.

No mundo cristão, analisa-se, desde Weber, o que se tornou conhecido como “ética protestante”, que seria responsável, em grande parte, pelo desenvolvimento do mundo de origem anglo-saxônica. Mas tal ética – muitas vezes confusa, indefinida, complexa – está muito longe dessa atuação oportunística e condenável de muitas igrejas que, abusando de privilégios constitucionais, se transformam em verdadeiras usinas capitalistas, indústrias da fé, balcão de negócios do Cristianismo.

O que ocorre na Unimep e no Iep é, dolorosa e dramaticamente, a demonstração mais lamentável dessa exploração da fé para obtenção de lucros e de vantagens para grupos fanatizados ou apenas espertos. A carta da leitora – funcionária da Unimep – que pede, em nome de companheiros de trabalho, ajuda e proteção contra o martírio a que estão submetidos é – mais do que um testemunho – um retrato pequenino mas vivo de quando a crueldade, em nome de ensandecidas visões cristãs, acaba por se transformar em desumanidade. Nada mais se respeita, não há valores decentes que sejam respeitados por um grupo de fanáticos, princípios esgarçaram-se e, acima de tudo, transformou-se uma universidade de natureza confessional e filantrópica num conventilho de oportunismos e de falsidades.

A Igreja Metodista está no banco dos réus. E se torna cada vez mais insuportável o ruído enlouquecedor desse silêncio cúmplice de bispos e pastores que aceitaram ser derrotados por uma maioria medíocre, faminta de poder e sedenta de lucros. Agora, a Igreja Metodista passa a ser acusada, também, de acumpliciar-se com assédios morais a seus funcionários. É o preço que paga por apoiar e prestigiar os novos empresários da fé, sob a liderança de Davi Barros e Paulo Borges. Este, Paulo Borges, fez a denúncia que todos esperavam, até mesmo a Justiça: tudo acontece com apoio da Igreja Metodista. Portanto, até assédio moral, na desumanidade dos fanáticos.

No entanto, essa mesma Igreja, secularmente admirada e respeitada, ainda tem o seu conselho de sábios, como ex-reitores e dirigentes o demonstraram na entrevista coletiva de 5ª feira pela manhã: Elias Boaventura, Almir Maia, Gustavo Alvim, Eli Eser César, falando em nome também de Sérgio Marcus Pinto Lopes. Esses ilustres metodistas e dirigentes são a esperança de estar, ainda, mantido o Norte orientador da Igreja que, entre outros luminares, nos deu Martha Watts e Maria Renotte. Alguns Davis e Paulos são acidentes de percurso.

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