2º Festival de Jazz Manouche no Engenho Central

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A presença da cultura cigana no Brasil é registrada oficialmente desde 1574, sendo o Maranhão o seu primeiro destino como resultado de degredo de Portugal, vindo no século seguinte também para o Recife, Bahia (gueto de Mouraria) e Rio de Janeiro (gueto de Valongo) – descendo daí para o Rio Grande do Sul e bacia do Prata. A influência da cultura cigana está presente desde os primeiros momentos de nossa música popular, sendo o lundu carregado de elementos da zarzuela cigana espanhola tanto no sapateado como na dança. A guitarra cigana ibérica deu origem também a um dos maiores símbolos da música popular brasileira, o violão. No século XIX o Rio de Janeiro (Catumbi) recebeu vários ciganos russos que trouxeram consigo o violão de sete cordas, instrumento-símbolo do choro – e os próprios Pixinguinha e João da Baiana afirmaram que na casa da Tia Ciata o ciganos cultivavam o samba com grande maestria.
Desde a origem, as manifestações musicais brasileiras se desenvolveram a partir de intercâmbios entre as linguagens e estilos locais e outros estrangeiros: assim como os maxixes surgiram a partir da sincopação dos ritmos de dança europeias, também o choro se desenvolveu a partir das estruturas harmônicas das polkas e outras músicas de salão. Esses mesmos elementos harmônicos e rítmicos confluíram em diferentes continentes, aqui e na Europa, se desenvolvendo em linguagens distintas e cheias de personalidade própria que, contudo, guardaram sempre fundamentos comuns entre si. Com o advento da Bossa Nova, a linguagem harmônica do jazz se tornou ainda mais evidentemente próxima ao sotaque rítmico nacional, e toda uma geração de violonistas logo se interessou ainda mais pelas guitarras dos grandes mestres do gênero americano.

 

Django Reinhardt – o patrono do estilo manouche
Um dos maiores patriarcas da guitarra de jazz, contudo, considerado pelos maiores nomes do instrumento como seu grande patrono, foi justamente Django Reinhardt, um cigano belga radicado  em Paris no começo do século XX. Inicialmente banjoista, após um terrível acidente que lhe deformou a mão esquerda privando-a do movimento de dois dedos, tornou-se, apesar disso, um virtuose do violão. Fascinado pela linguagem e improvisação do jazz americano, consagrou na Europa um estilo de jazz original a partir da musicalidade cigana, utilizando-se sobretudo de Violonistas Ciganos – O legado de Django Reinhardt.

 

2º° FESTIVAL DE JAZZ MANOUCHE
31/Outubro/2014
Engenho Central
Data: 31 de outubro de 2014, 19h30
Local: Teatro Erotides de Campos

 

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