A caipirice elegante de Mônica Salmaso

22/04/2017. Credito: Paulo Rapoport/Divulgacao. Monica Salmaso.

Ao dar o título de Caipira para seu novo álbum, que acabou de sair pela Biscoito Fino, Mônica Salmaso – tida pelos ouvidos apurados como a maior cantora dessa geração – entra em compasso com o que sempre falamos em A Província: ser caipira é chique. E ela demonstra isso num trabalho irrepreensível, com um repertório que pinçou entre joias sertanejas, de alma poética.

Para entender, é só ouvir a versão dela para Leilão, canção de Heckel Tavares e Joracy Camargo gravada primeiramente por Inezita Barroso, e que fala de um casal de escravos separado pela venda dela. Afinação total e emoção na medida, sem necessidade de demonstrar potência vocal.

No repertório de muito bom gosto, Mônica aproxima do universo caipira Cartola (em Feriado na Roça), Gilberto Gil (em Bom Dia, única parceria dele com a então esposa Nana Caymmi), vai ao Nordeste (Baile Perfumado e Açude Verde), relembra duplas como Tonico e Tinoco (Saracura Três Potes) e Vieira e Vierinha (Minha Vida), além de cobrir de viola o samba de Roque Ferreira famoso na voz de Zeca Pagodinho (Água da Minha Sede). Imperdível.

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