Francisco Alves, o Rei da Voz

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Nascido em 1898 no Rio de Janeiro, onde sempre viveu, Francisco Alves era filho do imigrante português José Alves. Teve quatro irmãos. José, o mais novo, morreu durante a epidemia de gripe espanhola. Angela, a mais velha, foi quem lhe deu de presente o primeiro instrumento, um violão. Por causa disso, conservou até o fim da vida o apelido de Chico Viola.

Mas também era conhecido como O Rei da Voz, título que ganhou no programa de César de Alencar, na Rádio Nacional. Foi nessa emissora que manteve também durante muitos anos um programa só seu, que ia ao ar ao meio-dia. “Quanto os ponteiros do relógio se encontram, surge a voz de Francisco Alves”, dizia a apresentação.

Antes de ser cantor, foi engraxate para ajudar a família, que passava por dificuldades financeiras. Em seguida, trabalhou numa fábrica de chapéus e durante algum tempo exerceu a profissão de taxista, chamado à época de chofer de praça. Casou-se pela primeira vez em 1920, com Perpétua Troia, a quem conheceu num cabaré da Lapa. Porém, ela não queria deixar a prostituição e união demorou menos de um mês.

Decidido a ser cantor, fez o primeiro teste com o maestro Antonio Lago, pai do ator Mário Lago. Foi aprovado, mas decidiu também fazer aulas de canto com Santhe Athos, pois seu registro natural era de tenor, como Vicente Celestino, mas tornou-se barítono. Os anos 30 foram os que reinou absoluto na música brasileira, com sucessos como Se você Jurar.

Em 1939, foi o primeiro a gravar Aquarela do Brasil, criação imortal de Ary Barroso. Na mesma época, fez vários duetos com Dalva de Oliveira e com o Trio de Ouro, grupo ao qual a cantora pertencia. Foi o responsável pela descoberta de muitos talentos, como Cartola e Lupicínio Rodrigues, mas em vários registros aparecia também como autor, na verdade pagando a parceria.

Alves foi um grande cantor romântico, em canções como Boa Noite Amor, Fracasso, Chuvas de Verão, Maria Rosa e tantas outras. Também ficou conhecido por sambas patrióticos e pela Canção das Crianças. Refez a vida amorosa com a atriz Célia Zenatti, com quem ficou casado por 28 anos. Morreu no auge da fama, em setembro de 1952, na Via Dutra, quando o carro que dirigia, um Buick bateu de frente com um caminhão na altura de Pindamonhangaba. Seu enterro foi uma comoção geral.

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