Os americanos e os filmes de ação

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O nascimento do cinema aconteceu na Europa, mas os norte-americanos não ficaram muito tempo fora da nova arte. Em 1903, O Grande Roubo do Trem, dirigido por Edwin Porter, é considerado o primeiro filme realizado nos Estados Unidos com uma narrativa. A técnica ainda eram a possível: o filme tinha apenas 10 minutos. Mas Porter já se mostrava inovador com edição interessante e tomadas em locação. O Grande Roubo do Trem deu início a uma tradição do cinema americano, o western, que passa até hoje por fases de esquecimento e retomada.

Logo a produção realizada nos Estados Unidos começa a evoluir na técnica. Em 1907, o cineasta Sidney Olcot, nascido no Canadá, fez a primeira versão de Ben Hur, com 15 minutos de duração. A cena da corrida de bigas não tinha o menor destaque, ao contrário da superprodução de 1959. Porém, foi o primeiro caso de processo por adaptação sem autorização de uma obra literária, de Lew Wallace, escrita em 1880.

Por conta disso, e pelo fato de que resumir uma obra grande em pouco mais de 10 minutos era uma missão quase impossível, começaram a surgir os primeiros roteiristas especiais para o cinema. Por conta do desenvolvimento da técnica, outro destaque passou a ser os filmes em episódios, que garantiram uma boa plateia no começo do século passado.

Neste início, a produção de filmes na América estava baseada em Nova York. Eram os tempos de Mack Sennett, e suas comédias, e de um jovem cômico vindo da Inglaterra, Charles Chaplin. Ao mesmo tempo, David Wark Griffith começa a revolucionar o cinema, com suas obras grandiosas e polêmicas (ele era assumidamente racista e defensor da Ku Klux Klan).

Pouco antes da Primeira Guerra Mundial, vários produtores independentes resolveram se mudar para um subúrbio a oeste de Los Angeles. Foi o começo de Hollywood como centro produtor e a transformação do cinema em indústria. Em 1915, o produtor Carl Laemmle investiu 165 mil dólares na construção do primeiro grande estúdio de Hollywood, Universal. Os estúdios concentravam a realização dos filmes em grandes instalações, como se fossem fábricas.

Outra consequência foi o aparecimento das grandes estrelas. A primeira a reivindicar o título foi Florence Lawrence, “a moça da biografia”. Também era chamada de “a garota das mil faces” e começou a carreira no teatro vaudeville em Nova York. Entre 1906 e os anos 30, apareceu em mais de 100 filmes mudos, entre eles Romeu e Julieta, Salomé, Julio César e Cleópatra.

Mas os mais famosos dessa primeira fase foram Chaplin, Mary Pickford e Douglas Fairbanks. Ela foi a primeira “queridinha da América”, sucesso em produções como Pobre Menina Rica e Sonhos de Moça. Era casada com Fairbanks, o primeiro astro dos filmes de aventura. Insatisfeitos com a falta de independência artística nos estúdios, fundaram, em 1919, a United Artists. Começava uma nova fase. Mesmo sem estúdios ou salas de projeção, alugavam os espaços e negociavam a distribuição de forma independente. Assim, não ficavam a mercê do gosto dos primeiros chefões de estúdio.

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