O melhor de Rita Lee

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Globo Livros

Rita abandonou a carreira há alguns anos, mas o que ela nos deixou continua atual como nunca. É que sua alma continua de garota.

1 – OVELHA NEGRA (1975)

A balada rock (hino das garotas mal comportadas) não conta apenas como Rita barbarizava a cabeça do pai, o dentista Charles. É um desabafo também contra a forma tosca com que foi expulsa dos Mutantes (algo que ela não perdoa até hoje, como provou no livro). Puxou as vendas de seu disco solo Fruto Proibido e ficou em 32º lugar na lista das melhores canções da revista Rolling Stones.

2 – MANIA DE VOCÊ (1979)

Rita conta, em sua biografia, que escreveu a letra em poucos minutos, retratando o que vivia com o marido, Roberto de Carvalho, que fez a melodia. Começou a fase pop da cantora, com temas românticos. Teve início também, na visão dela, uma perseguição da crítica musical brasileira, que nunca mais falou bem dela e a via como traidora do rock. Puro machismo!

3 – AMOR E SEXO (2003)

Entusiasmada ao ler um texto de Arnaldo Jabor sobre “os dois pilares existenciais mais manjados da raça humana”, Rita colocou a melodia. Era uma época em que curtia “a loucura de ser careta” e participava do programa Saia Justa. Enquanto as outras integrantes (Mônica Waldvogel, Fernanda Young e Marisa Orth) falavam pelos cotovelos, ela às vezes ficava fazendo tricô.

4 – JARDINS DA BABILÔNIA (1978)

Curioso como essa canção teve sua visão mudada com o passar do tempo. Quando foi lançada, a esquerda considerava Rita uma “alienada”, e pior, americana! Hoje os jovens enxergam em versos como “eu pra não ficar por baixo resolvi botar as asas pra fora” e “pra pedir silêncio eu berro, pra fazer barulho eu mesma faço” referências à luta pela liberdade de expressão.

5 – LANÇA PERFUME (1980)

Um dos maiores sucessos do ano, foi tocada como nunca. Com um pique agitado e meio carnavalesco, a melodia embalava uma letra bem ousada para a época, em que a mulher assumia as rédeas: “me aqueça, me vira de ponta-cabeça” ou “vê se me dá o prazer de ter prazer comigo”. O disco vendeu mais de um milhão de cópias e rendeu especial na Globo para a cantora.

6 – DOCE VAMPIRO (1979)

Assinou sozinha e o “muso”, claro, é o marido. “Nunca vi ninguém se apaixonar tanto pelo namorado a ponto de cantar loas constantes”, brincou o amigo Tom Zé. Para a astróloga Martha Hoormann, embora capricorniana, Rita mostra um jeito escorpiano na frase “brindando a morte e fazendo amor”. “Aceita a morte com naturalidade, pois sabe que tudo é cíclico”.

7 – COR-DE-ROSA CHOQUE (1982)

Amiga de Marília Gabriela e de quase toda a equipe do TV Mulher, Rita foi convidada para criar a música-tema do programa. Demorou dois anos a inclui-la em um álbum de carreira. A canção é de um feminismo sem discurso, mas provocou polêmica pela forma totalmente natural com que ela se referiu à menstruação: “Mulher é bicho esquisito, todo mês sangra”.

8 – TODAS AS MULHERES DO MUNDO (1990)

Na visão da autora, toda mulher “é meio Leila Diniz”, como a atriz que desafiou o sistema, era defensora do amor livre, mas irritou as feministas tradicionais. Ao mesmo tempo, “toda mulher se faz de coitada”, o que também causou uma certa irritação, pois Rita não se prende a estereótipos. A lista feminina que ela cita ao final da canção vai de Nossa Senhora a Dercy Gonçalves.

9 – PAGU (2000)

“Sou mais macho que muito homem”. Poucas mulheres, como Rita, podem dizer isso soar exagerada. Pagu era Patrícia Galvão, escritora e militante política. “Feiticeira corcunda” eram os símbolos sexuais” da TV que viviam com a bunda arrebitada a fim de parecer sexy. Parceria com Zélia Duncan, foi regravada depois por Maria Rita, filha de sua grande amiga Elis Regina.

10 – REZA (2012)

Destaque do último disco de Rita, e que leva o nome da canção. Na letra, a autora, a autora, em momento de plena maturidade, “já tendo apertado a tecla foda-se há algum tempo”, como define, pede simplesmente o direito de ser feliz como é. “Deus me proteja da sua inveja, Deus me defenda da sua macumba, Deus me salve da sua praga, Deus me ajude da sua raiva”. Amém!

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