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Carolina, a santa benzedeira

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(imagem: flockine, por Pixabay)

Não acredito tenhamo-nos livrado, neste século XXI, de superstições, crenças, crendices, benzeções. Por mais ocultas pareçam, ainda existem e fazem parte de nossa história coletiva e pessoal. De mim, posso afirmar ser de uma época em que não se tratava de crendices, mas de crenças reais, verdadeiras. Acreditava-se firmemente em ervas, em chás, em remédios caseiros, quase todos, hoje, reconhecidos pela ciência. Eles resolviam. E acreditávamos em benzedeiras, mulheres privilegiadas que – nunca me interessou desvendar o mistério – tinham o dom da cura.

Das mulheres benzedeiras daqueles anos, Dona Carolina, a Carolina do Inácio, era a mais dotada, a mais querida e procurada. Carolina Martins, o seu nome. Em Vila Rezende. Ela fazia partos, cuidava de feridas, curava enfermidades desconhecidas, tirava verrugas das pessoas. Dou meu testemunho pessoal, em duas oportunidades. A primeira, comigo mesmo. Eu tinha algumas verrugas nas mãos e a orientação de Dona Carolina foi a de, na enxurrada da primeira chuva, eu passar uma caixa de fósforo vazia sobre as verrugas, deixando-a, depois, para a chuva levar. Incrivelmente, deu certo. E, com um dos meus filhos, foi ainda mais surpreendente, para não dizer assustador. Ele tinha mais de cem verrugas – contadas – em mãos e braços. Levamo-lo a médicos, a especialistas, obedecemos a receituários – nada aconteceu. Finalmente – não Carolina – uma benzedeira, conhecida madama da sociedade, deu-nos a sua orientação: fazer, num barbante, tantos nós quantas fossem as verrugas. E depois… Não me lembro do que fizemos depois. Mas todas as verrugas do menino desapareceram…

Na perplexidade, aprendi a recorrer a Shakespeare:

Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia.

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