Educação, uma missão de vida (1)

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Silvana Guidotti dirigiu sua Escola de Educação Infantil Casinha Encantada por 22 anos.

Pedagoga, Silvana Guidotti trabalhou, durante 32 anos, com crianças de até 6 anos de idade. Nesse período, também dirigiu seu próprio espaço de ensino – a Escola de Educação Infantil Casinha Encantada, atuante por 22 anos. Na sequência, ela assumiu a direção de escola para crianças especiais, com idade entre 4 a 54 anos.

Com seu projeto atual, em 2015, Silvana criou o portal de entretenimento infantil “Contos da Tia Sil” – ampliando a comunicação com seu público preferido, formado por crianças, pais e professores. A partir de então, “Tia Sil” passou a compartilhar suas histórias também por meio de seu website, facebook e canal do youtube.

Como semeadora de cultura na área de educação, Silvana conta sobre sua missão – educar, em seu depoimento, a seguir.

Minha missão: educar

“Trabalhar com crianças é uma escolha que engloba bons propósitos, responsabilidade, atenção e respeito, mas sobretudo coragem. A criança nos olha nos olhos e sabe comunicar-se por meio desse olhar.

Ela é um ser frágil, muito frágil, e é aí que precisamos da coragem para acolhê-la em nossos braços, sem quebrá-la… Não digo quebrá-la fisicamente (embora também se encaixe). Mas, como passamos a ser referência para ela, uma simples palavra pode quebrá-la em sua autoconfiança e isso pode mudá-la para sempre.

Por isso insisto que a educação começa antes da sala de aula. Ela se inicia em casa, junto com a família.

E a educação do professor? Será que o diploma é suficiente para avaliar se a pessoa está apta para ser uma boa educadora? Acho que não e digo isso, porque trabalhei quase que minha vida toda como diretora escolar na área de educação infantil. E percebi que não eram apenas as crianças que precisavam ser estimuladas e avaliadas, mas o professor também – e bem de perto.

Observando os professores e verificando algumas falhas, como falar alto demais, quase gritando, por exemplo, nas reuniões pedagógicas eu fazia o mesmo com os professores – que, obviamente, estranhavam o meu comportamento.

Eu dizia que, se eles não gostavam que gritassem com eles, certamente as crianças também não gostavam. Então, eles deveriam diminuir o tom da voz e, ao mesmo tempo, eu já falava mais suavemente, o que fazia com que a atenção deles aumentasse ao que eu queria dizer.

Conclusão: se você grita, seu aluno vai gritar também, porque – pasme! – você é o professor e é você quem o ensina.

Ao trabalhar com educação infantil, sempre desejei que cada criança fosse vista de forma individual e tratada com atenção especial. E decidi, enquanto educadora, estimular os professores a serem melhores como pessoas, a fim de que fizessem o mesmo com as crianças.

O melhor de si mesmo

Eu precisava extrair o melhor de cada um deles e só conseguia isso mediante exemplos no dia-a-dia, elogiando-os ou fazendo-lhes exatamente igual o que eu via sendo feito aos alunos.

Por exemplo, numa reunião de professoras, eu escolhia aleatoriamente uma delas para ser elogiada, sem que as outras soubessem. Então, eu começava a reunião pedindo a uma delas que se sentasse perto de mim, porque ela estava toda arrumada e perfumada. As outras ficavam chateadas com a minha atitude.

No meio da reunião, eu pedia à minha escolhida “favorita” que lesse um texto e elogiava a suavidade de sua voz. As outras começavam a ficar incomodadas com a situação.

E, assim, eu ia aos poucos elogiando mais e mais a minha “escolhida”, que, a essa altura, já estava se achando “o último biscoito do pacote”, enquanto as outras queriam me “afogar”, junto com a minha professora “favorita”.

Aí, no final da reunião, eu perguntava: por que elas estavam tão incomodadas? O que havia acontecido? E elas diziam que era porque eu só estava elogiando a “tal” fulana!

Ótimo – pensava comigo –, atingi meu objetivo! E explicava a elas que, quando escolhiam um aluninho para ficar por perto porque era mais limpinho, ou mais bonitinho, ou mais riquinho, estavam fazendo exatamente o que eu fiz, e que o que elas sentiram era exatamente o que os outros alunos sentem quando elas fazem essa discriminação.

Então aquele tipo de comportamento era extinto no dia seguinte, porque elas, agora, tinham entendido a lição.

A partir daí, vibrávamos quando uma criança que, a princípio apresentava uma dificuldade, conseguia superá-la com nossos incentivos e estratégias.”

(continuação no próximo post)

Mulheres Semeadoras de Cultura

O Projeto “Mulheres Semeadoras de Cultura”, do ICEN – Instituto Cecílio Elias Netto, foi composto por um ciclo de palestras e debates, e a publicação de um livro. Com a coordenação da B2 Comunicação, o Projeto contou com o apoio cultural da Caterpillar – por meio da Lei Rouanet, Lei Federal de Incentivo à Cultura. Para conhecer o Projeto, na íntegra, acesse o link: https://bit.ly/2ml0xyf

Venha, você também, semear cultura

Agora, A Província quer ouvir e publicar sua história; conhecer sua experiência; saber quem são mulheres semeadoras de cultura para você – muitas delas anônimas e desconhecidas. Queremos aprender mais sobre o que é semear cultura e investigar a qualidade da semeadura de todos nós. Por isso, convidamos você a, também, fazer parte deste Projeto!

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