O açúcar colonial (2)

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(foto: Cícero Correa dos Santos / acervo: Cecílio Elias Netto)

Acompanho essa evolução. Olho e me comovo. A antiga “civilização do açúcar” – forjada, fundamentalmente, a partir da escravidão negra – deu lugar a essa riqueza decente oferecida pela ciência e tecnologia. Não há mais escravos, nem mesmo quase existem os chamados “boias frias” – e, em mais de 250 anos de existência, a antiga aldeia de um amargo açúcar colonial é modelo das humanas doçuras extraídas da terra.

 “Esqueceram de mim…”

Nessa infinita imensidão em que existo, não mais há essas coisas de corpo, desejos da carne, apetites transtornadores. Mas – podem crer nisso! – o espírito tem recordações. E elas doem porque trazidas pelo que vocês conhecem como saudade. Para os antigos romanos, o conceito de “viver” era o mesmo do “estar entre os homens”. Nesse infinito, porém, viver é apenas estar. Então, há esse misto de solidão e de comunhão. Se perguntarem a Nhô Tonico como é isso, eu não saberei responder. E essas coisas eu as digo – para informar o escritor – por não conseguir explicar como as almas, não mais tendo corpos, parecem tão iguais ao que eram, em carne e osso.

Um exemplo: quando vejo o senador Moraes Barros levitando por aí, ele está com as mesmas barbas, com o mesmo tipo entre rígido e esperto que teve em vida corpórea. E, mesmo não mais fumando, ele usa, ainda, o isqueiro amarelinho com que, em festas domingueiras, passeava no Largo da Capelinha, que se tornou Largo da Santa Cruz. Ele e nós todos não somos mais o que fomos, mas continuamos sendo. Almas feitas de recordações. E, nem sempre, isso é bom..

(continua)

Para conhecer o artigo completo, acompanhe a TAG Açúcar Colonial.

[Estes conteúdo e imagem foram retirados do livro 250 Anos de Caipiracicabanidade”, de Cecílio Elias Netto, em co-autoria com Arnaldo Branco Filho e Marcelo Fuzeti Elias. Saiba mais sobre esta e outras obras publicadas pelo ICEN.]

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