A mais alfabetizada, mas com mortos insepultos

A mais alfabetizada

A vocação de Piracicaba para o conhecimento nasce com as suas próprias origens. No “Quadro Estatístico a Província de São Paulo”, de 1836, Piracicaba contava 10.291 habitantes e tinha o maior número de alfabetizados em toda a Província: 395 de seus moradores. Itu e Porto Feliz – que tinham respectivamente 11.146 e 11.193 moradores – contavam 166 e 124 pessoas alfabetizadas. E Curitiba, com 16.157 habitantes, tinha apenas 152.

Essa vocação piracicabana, o entendimento da necessidade de educação para o povo permitiram que, sob a influência dos Moraes Barros, passássemos a ser a cidade conhecida como “O Ateneo” e, em seguida, a “A Atenas Paulista”. Esse epíteto, “Atenas Paulista”, se deveu ao fato de a cidade de São Luiz, Maranhão, ter sido considerada a “Atenas Brasileira”, por seu alto índice de alfabetização.

Cães e sepulturas

Mas havia problemas. Piracicaba ainda mantinha o nome de Vila Nova da Constituição quando, em 11 de fevereiro de 1849, a Câmara Municipal enviou patético apelo ao Presidente da Província de São Paulo para a construção de um cemitério. O argumento era doloroso: “para poder proibir-se as sepulturas no recinto da Matriz, tão nocivo à saúde pública, e desaparecer o enterro da classe pobre no campo, e serem arrancados os infelizes das sepulturas pelos cães, como infelizmente tem acontecido.”

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