A paisagem destruída em favor do Grupo Moraes Barros

O lugar onde se construiu o Grupo Moraes Barros – inaugurado em 1900 — foi cemitério e foi cadeia. O memorialista Francisco de Assis Iglésias descreve como era aquele espaço:

“O Largo da Cadeia Velha era ladeado por quatro ruas bonitas: rua Alferes José Caetano, rua 13 de Maio, rua Piracicaba (hoje Voluntários de Piracicaba) e rua do Rosário. No meio do quarteirão da rua Alferes José Caetano, havia um chafariz de água potável. O largo era lindamente arborizado com paineiras frondosas. De dezembro a janeiro, época de florescência, a Cadeia Velha resplandecia e se contaminava também de beleza. Todas as paineiras, cobertas de flores desde o lilás suave até o vermelho cor-de-rosa. Farfalhavam milhares de borboletas polícromas, centenas de beija-flores lindíssimos cruzavam os ares por entre as incontáveis flores, numa indescritível beleza sobre beleza. O chão, sob as frondes das paineiras copadas, cobria-se de flores: era um tapete deslumbrante, que completava o quadro admirável que a natureza oferecia ao regalo dos piracicabanos. Mais tarde, quando abriram as covas para os fundamentos do majestoso edifício que seria o grupo Escolar Moraes Barros, as paineiras foram sacrificadas: o machado dendroclasta pôs um ponto final àquela paisagem. Por quê? Não sei.”

 

 

 

 

 

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