Abolicionistas por interesse

Em sua dissertação de mestrado, “A agroindústria canavieira em Piracicaba: relações de trabalho e controle social – 1880/1930”, a economista Eliana Tadeu Terci insiste em que os perrepistas não eram abolicionistas de fato, mas, tomando consciência da eminência da abolição, tentaram controlar a transição, buscando a unidade da classe proprietária e o princípio de propriedade. A proposta era defendida pelas páginas do jornal “A Gazeta” e tinha como base a libertação dos escravos com prazo de prestação de serviços. Nesta fase de transição, a expectativa era de que os ex-escravos entendessem seu lugar na sociedade e a forma de comportamento que deles se esperava : vários editoriais do jornal indicavam que era preciso dar-lhes “instrução e moralidade”.

E para tanto, o PRP contará, como instrumentos, com a escola e a polícia, como enfatiza A Gazeta : “é por medidas repressivas para os adultos e pela freqüência da escola pelas crianças que tal pudemos conseguir”. A polícia será colocada na luta contra a vadiagem do negro; as escolas aparecerão antes mesmo da abolição, com um grupo e professores do Collegio Santo Antonio abrindo um curso noturno gratuito para negros libertos, em 1888. Em 1889, a Egualitaria Instructiva será fundada pelos próprios negros, recebendo apoio financeiro de homens abastados do município.

Em Piracicaba, com todo este esforço articulado, a pesquisadora conclui que a libertação dos escravos não ocasionou a saída em massa dos negros do município, houve apenas uma deslocamento dos ex-escravos com relação a mudança de patrões.

 

 

 

 

 

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