Alimentos armazenados nos quartos

Foto: Pafdro/Olhares

Piracicaba foi, desde os primórdios, um ponto de parada dos tropeiros. Eles chegavam e se instalavam nos chamados “quartos” , que eram pequenos aposentos, separados entre si e com uma só porta que dava para a rua. Antes do mercado, era nos quartos que os tropeiros vendiam fumo, farinha, toucinho, milho, queijo, etc. Havia quitandas, mas quase tudo era vendido à porta das casas: palmito, laranjas, doce, verdura, geléia, frutos.

Os principais “quartos” ou “casinhas” estiveram, inicialmente, nas ruas da Palma (Tiradentes) e dos Pescadores (Prudente). Depois, instalaram-se na rua do Commercio (Governador). Tratava-se de maneira inventiva de locação. Os donos dos imóveis faziam construções que permitiam, quando necessário, alugar ou arrendar aquelas dependências. Criativamente, as chamadas “frestas” ou janelas podiam, quando alugados os quartos, se transformar em portas. Acontecia que Piracicaba era um “centro de armazenamento”, especialmente de sal. O transporte do sal — que vinha de Santos — dependia do nível das águas nas regiões do sertão. Sertanistas do Brasil Central, de Botucatu, Lençóis, Jaú, faziam o armazenamento em Piracicaba e, nos “quartos”, vendiam também para a população.

A eficiência dos “quartos” estava, também, em que, a pequena distância deles, havia espaço para amarrar os animais de carga, em toras de madeira fincadas no chão.

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