Conflitos entre patrões e empregados

A pesquisadora Eliana Tadeu Terci buscando mostrar as relações de trabalho no início do século selecionou uma série de artigos do jornal “A Gazeta”, que demonstram os problemas registrados entre trabalhadores negros, colonos estrangeiros e proprietários. Assim, por exemplo, a história de Anacleto Lopes Romualdo que “apresentou-se voluntariamente à polícia desta cidade, entregando-se a prisão, autor dos ferimentos por bala produzidos no administrador da Fazenda Estrela, em Rio das Pedras, sr. Alberto Schimer…. O administrador não quisera, de modo algum, deixá-lo retirar-se da fazenda com sua família, sequestrando-lhe os trastes, tudo enfim quanto possuía, até roupas de seu uso e as de sua mulher e filhos… O sr. Schimer, exasperado, além de o insultar deu alguns safanões na mulher de Anacleto e sacou de um revolver, com que o alvejou, desfechando dois tiros que não o atingiram. Foi então que ele, em defesa própria, deu dois tiros de garrucha contra Schimer, evadindo-se em seguida”. Há , também problemas registrados até na fazenda do Senador Moraes Barros : “ na Fazenda Santo Antonio de Ibicatu, diversos colonos espanhóis entenderam de fazer dia santo, deixando de ir para o trabalho e procurando impedir que outros colonos fossem. Então o sub-administrador da Fazenda chamou o chefe e despediu-o , multando-o em 50$000. Este, zangado, prometeu pagar a multa com uma garrucha de que estava armado.

Travou-se então um conflito que deu em resultado insurgirem-se todos os colonos espanhóis da fazendo e porem cerco a cada morada, onde se tinha fechado por dentro o sub-administrador, invocando o auxílio da polícia, que para lá seguiu o major João Nepomuceno com oito praças e encontrou ainda os colonos pondo cerco à casa, pelo que foram presos”.

 

 

 

 

 

 

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