Maria Flor e Carlos, primeiros amantes na “história oficial” de Piracicaba

Imagem ilustrativa do filme “Coco Chanel & Igor Stravinsky”.

Que houve amantes e adultérios em todos os lugares do mundo e em todos os tempos da história, não há que se comentar. No entanto, quando é a história que, oficialmente, acaba registrando os grandes casos de amor, a realidade é outra, até mesmo para se reelaborar os acontecimentos.

Os primeiros “amantes oficiais”, chamemo-los assim, de Piracicaba, foram a viúva Maria Flor de Moraes e o sargento mor e encrenqueiro Carlos Bartolomeu de Arruda, um dos maiores proprietários de terra da então freguesia de Santo Antônio de Piracicaba, ancestral de família de notáveis, entre os quais Carlos de Arruda Botelho, o Carlos Botelho de tanta influência política em São Paulo.

A viúva era conhecida, também, como Ana Flor de Moraes, Flora ou Maria Flora. Nos anais da cidade, a história está lá: casado, Carlos Bartolomeu se apaixonou por Maria Flor, tornaram-se amantes, a freguesia se escandalizou, os pombinhos foram denunciados por escândalo público. Maria Flor foi estigmatizada, punida, desterrada, mas continuou amando Carlos Bartolomeu. Até que, por ordem do capitão-general da Capitania de São Paulo, Antônio José da Franca e Horta, veio a ordem para o capitão comandante da freguesia de Piracicaba, Francisco Franco da Rocha:

“Ordeno a V. Mercê, em recebendo esta, lhe mande intimar da minha parte que, como ela (Maria Flor de Moraes) continua no seu antigo e escandaloso concubinato, não obstante o Despacho que lhe dei para não voltar para essa Freguesia, haja de sair dela no termo de três dias, o que V.Mercê assim fará executar.”

Ainda que envolta em mistérios, Ana Flor, a Maria Flor, deve ter sido uma mulher piedosa. Pois, em seu leito de morte, no dia 22 de outubro de 1827, ela fez seu testamento em que estabeleceu: “Declaro que deixo hua dobla para as obras da Matris nova do nosso Padroeiro, o Senhor Santo Antônio, e o meu testamenteiro entregará a dita quantia ao Procurador da mesma obra quando se principiar a dita matris.”

Foram os primeiros amantes a constar dos anais de Piracicaba. E as primeiras vítimas de um moralismo que parece não ter fim.

 

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