Newton de Mello e o hino da cidade

Infelizmente, com o modismo da chamada música sertaneja, há grande número de pessoas acreditando que o hino de Piracicaba é aquela conhecida como “Rio de Piracicaba”, muito divulgada por rádio e televisão. O hino de Piracicaba é de autoria de Newton de A. Mello, cujo estribilho começa cm os versos “Piracicaba que eu adoro tanto, cheia de flores, cheia de encanto…”

Músico, poeta, boêmio, dividindo a sua vida entre Piracicaba e Araraquara, Newton foi uma figura trágica, mesmo porque a tragédia marcou-lhe a vida: num crime passional, matou a mulher, que o havia traído. Durante muitos anos, no fim de sua vida, Newton de Mello morou na casa do médico Antonio era Sobrinho, na rua Rangel Pestana, esquina com a Benjamin. O próprio Newton nunca imaginou que a sua música se transformasse em um hino da cidade que ele tanto amou. Em 1975, ao almanaque de Piracicaba daquele ano, Newton revelou:

“Era o dia 9 de setembro de 1931. Lembro-me bem disso tudo. Não por vaidade, mas apenas esclarecendo um ponto para mim interessante, devo dizer que a letra e a música dessa despretensiosa canção foram compostas, simultaneamente, em cinco minutos. Outras composições minhas foram, nas quais tinha trabalhado por vezes dias a fio, não me saíam boas como esta parecia estar. Retive-a na memória e, como na noite do mesmo dia me encontrasse em Piracicaba, entre velhos amigos, cantarolei-a para eles. Surgiu logo um violão. Aprenderam em três tempos e houve um geral entusiasmo que, de certo modo, me lisonjeou.”

Segundo o mesmo Newton de Mello, o advogado e jornalista Osório de Souza – à época, um dos donos do Jornal de Piracicaba – não gostou. No entanto, os seresteiros começaram a divulgá-la. E Newton de Mello cita, além de Cobrinha e Capitão, alguns deles, famosos naqueles tempos: Benigno Lagreca, José do Amaral, Lauro Catulé de Almeida, Otavião de Barros Ferraz, Décio de Toledo, Guido Olivetto, Benedito do Amaral, Antonio Diehl, Zacarias Martins, João Cozzo, Anísio de Godoy, Luciano de Cilo, Idílio Ridolfo, Inocêncio Geizer do Amaral.

A harmonização da música foi feita pelo maestro Carlos Brasiliense.

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