O nosocômio ficará hospital regional

O texto abaixo foi publicado em novembro de 1987 no semanário impresso A Província. Falava sobre reforma e mudanças na Santa Casa. Preservamos datas, idades, comentários e gramática originais do texto.

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Se há algum tempo você não se dirige ao antigo ambulatório da Santa Casa, agora terá uma grande surpresa: em lugar de médicos, enfermeiros, atendentes, verá pedreiros, eletricistas, encanadores. Substituindo macas levando doentes, carrinhos de mão transportam entulho. Afinal, o que está acontecendo?

O diretor financeiro e 1º  tesoureiro da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Piracicaba (mantenedora do hospital), Wolne Negreiros Cruz nos deu todas as explicações.

“Com o fechamento do hospital Santa Mônica, que atendia a parte previdenciária, todo o pessoal que era atendido lá passou para a Santa Casa, que se tornou hospital central de Piracicaba. Com isso, houve necessidade de uma adequação e consequente expansão do hospital. Temos chamado também para nossa responsabilidade, pois é Santa Casa de Misericórdia, toda a região, abrangendo mais ou menos um milhão e meio de pessoas.”

Há três anos e meio, iniciou-se a gestão dessa nova administração, com o provedor Ide Choairy, vice-provedor Joaquim Mário Pires Ferreira, secretários Antonio Gomes Perianes e Luiz Gonzaga Lordello, e 2º tesoureiro Antonio Domingos Salmasi, que já tinha o propósito de melhorar o espaço.

A construção de um edifício de seis andares estava parada há doze anos, e o prédio ficou defasado, necessitando adequação técnica da fiação elétrica, sistema hidráulico, tudo.

O HOSPITAL ERA “ESTICADO” 

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Para que a Santa Casa, como um todo, pudesse crescer, havia necessidade, em primeiro lugar, de planejar e estruturar tudo. Para isso foi feito um levanta mento total topográfico de sua área, para em cima dele ser elaborado um plano diretor. “O que vinha acontecendo, diz Wolne, é que o hospital era “esticado” e quando uma ampliação se fazia necessária, não havia jeito de se corrigir os erros”.

Com a ampliação da área física, foi feito um trabalho de base com os funcionários, tendo sido estabelecido um quadro funcional, através do qual uma pessoa pode entrar como faxineiro e, com estudo e aprimoramento profissional, pode chegar a diretor. São estabelecidas faixas, através dos quais cada um sabe onde vai trabalhar e quanto vai ganhar.

Ao lado disso, foram estabelecidos diversos cursos de aprimoramento para os funcionários, para que seu nível de qualidade fosse melhorado bem como para preparar o maior número deles para a criação de novos setores, que virão com as ampliações.

“Semeada toda essa estrutura, partimos para nosso objetivo”.

Um outro fato de destaque foi a assinatura do convênio entre a Santa Casa e o INAMPS, de um sistema denominado AIS – Ações Integradas da Saúde, que unifica e integra o atendimento de trabalhador rural e pacientes indigentes, ao mesmo nível do trabalhador urbano. Se a Previdência cumprir com os propósitos estabelecidos neste novo convênio, as Santas Casas terão, em um futuro próximo, suas situações financeiras melhoradas e, consequentemente, poderão oferecer à população melhor conforto, melhores equipamentos, mão-de-obra de melhor nível técnico e melhores instalações aos seus usuários.

“Com uma administração dirigida, já recuperamos a parte econômica e, hoje, dentro do que a Santa Casa se propõe, está bem equipada. Com a assinatura desse convênio, fomos também obrigados a preparar a ampliação do Pronto Socorro, que agora chama-se Pronto Atendimento, e será construído um novo prédio (aproximadamente 900 metros quadrados) que ligará o Pavilhão A à Ortopedia”.

“Agora iniciamos oito frentes de trabalho, para fazer da Santa Casa de Misericórdia de Piracicaba, um hospital regional, que atenda e bem, toda essa grande população de nosso município e cidades vizinhas”, afirmou Wolne.

MAIS REFORMAS E AMPLIAÇÕES  

“Quando iniciamos essa atual administração, contratamos, em São Paulo, um arquiteto especialista em construção de hospitais que nos tem dado toda a orientação e quem nos tem acompanhado em todos esses empreendimentos é a Construtora Obra, desde o tempo do Sr. José Osores. Já estão prontos os projetos para ampliação e reforma do setor de psiquiatria, que terá mais 30 quartos. A parte térrea da Maternidade será totalmente reformada e contará com duas modernas salas de parto.

“ No prédio mais antigo da Santa Casa, um elevador ligará suas duas partes, que hoje são quase estanques. Serão também reformados, ampliados e atualizados, o Centro Cirúrgico e a UTI”, concluiu Wolne.

Quando da visita da reportagem d’Á PROVÍNCIA às dependências da Santa Casa, a alegria e descontração de várias crianças, brincando em um setor separado, mas dentro dos limites do hospital, chamou nossa atenção. Trata-se da Creche para os filhos de funcionários do hospital, que ali recebem todo o cuidado de pessoas especializadas e alimentação adequada, durante todo o dia. Mesmo se tratando de uma creche quase exemplar, já está projetada uma nova, para atender até 150 crianças, que ficará dentro dos limites do terreno, mas um pouco mais separada do setor hospitalar; junto à horta e em meio às árvores.

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A NOVA APARELHAGEM 

Para acompanhar toda essa ampliação e atualização da Santa Casa de Misericórdia de Piracicaba, já foram tomadas medidas, inclusive, de aquisição e importação da mais moderna aparelhagem hospitalar.

O gerente administrativo, Antonio José Duarte, nos informou que o setor de Radiologia será transferido para uma área nova, construída especificamente para esse tipo de serviço, com todas as técnicas de segurança exigidas. Será localizado no térreo do prédio novo, em fase de acabamento. Para esse setor foram importados um tomógrafo e um intensificador de imagens.

Com as novas e amplas instalações do serviço radiológico haverá maior número de salas para exames, consequentemente estuda-se também a aquisição de novos, bem como a substituição de alguns, aparelhos de Raios-X.

Com as novas e amplas instalações do serviço radiológico haverá maior número de salas para exames, consequentemente estuda-se também a aquisição de novos, bem como a substituição de alguns, aparelhos de Raios-X.

O setor de ultra-sonografia também funcionará nesse novo prédio e será adquirido um novo aparelho com técnicas mais aperfeiçoadas, que poderá dar condições de se efetuar outros exames que exigirem maiores e mais apuradas técnicas.

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