Piracicaba Oficial

Dois relatórios oficiais, assinados pelo intendente Ten. Cel. Aquilino Pacheco e pelo presidente da Câmara, Paulo Moraes Barros, referentes a Piracicaba entre 1899 e 1901, mostram uma cidade com características muito peculiares.

Os habitantes se dividiam entre 8.054 brasileiros e 3.006 estrangeiros. Alguns anos antes, em 1895, o relatório oficial da Secretaria de Negócios do Interior de São Paulo registrou a vinda, para Piracicaba, de 1.200 imigrantes. Ribeirão Preto era a cidade que mais recebera estrangeiros, 5.461, seguida de São Carlos, que acolhera 4.444 imigrantes. Em Piracicaba, 969 vieram para a sede da cidade, 34 para a Costa Pinto, 107 para a Fazenda Paraíso e 90 para o Porto João Alfredo (Ártemis). Os reflexos da presença estrangeira não demoraram a se fazer sentir: o cartório registrará, no próprio ano de 1895, que entre os 744 nascidos, 237 tinham pai italiano; 23, espanhóis; 10, portugueses e 7, alemães.

No grupo total de habitantes de 1899, 5505 não sabem ler, enquanto 5.555 são alfabetizados. Um dos problemas era a falta de escolas, embora a cidade contasse com 1881 alunos distribuídos em 22 “estabelecimentos de instrução”. O recenseamento de 1900 indicou que 585 não recebiam qualquer tipo de instrução, dos quais 300 por não existirem vagas disponíveis.

As moradias eram 2.092 e 400 lâmpadas de 32 velas iluminavam as ruas. Estas ruas eram varridas duas vezes por semana e o lixo, removido pela Empresa de Limpeza Pública.

O maior estabelecimento comercial – supostamente o de Terêncio Galesi – recolheu 273$600 de imposto anual. Nele se comercializavam fazendas, armarinho, ferragens, chapéus, calçados, perfumaria e bebidas. Para se ter uma idéia deste valor, basta dizer que ele era pouco maior do que o salário anual do funcionário municipal mais mal pago em Piracicaba: o zelador dos relógios recebia, em 12 meses, 240$000; o jardineiro recebia 1:800$000.

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