Quem era o Barão de Serra Negra

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O Barão (o segundo sentado) com a família

No dia 2 de outubro de 1900, morreu Francisco José da Conceição, o Barão da Serra Negra. O historiador piracicabano Nelson Camponez de Oliveira pesquisou e deixou registradas observações que se mantiveram por muito tempo inéditas sobre a morte do Barão de Serra Negra:

“Na sua fazenda Bom Jardim, do município de Rio das Pedras, faleceu o Coronel Francisco José da Conceição, Barão da Serra Negra. Sofrendo do coração há bastante tempo e conhecendo a proximidade da sua morte, nem assim o velho Barão perdeu o espírito de ´verve´(.) Nasceu em Constituição no primeiro quartel do século XIX(.) Dedicou-se ao comércio e estabeleceu-se com loja de fazendas na vila(.) Sério, honrado, ativo, inteligente, granjeou logo bastante aceitação e bens de fortuna. (.) dedicou-se mais especialmente à lavoura e, em1868, adquiriu grandes propriedade agrícolas (.) que o tornaram um dos homens mais abastados da Província. (.) Ofereceu hospedagem por duas vezes, em 1877 e depois, ao Conde d´Eu quando de visita a esta cidade.(.) Foi um dos incorporadores da Cia. de Navegação Fluvial a Vapor e um dos fundadores do Banco de Piracicaba. Manteve-se sempre monarquista.(.).foi um dos que, em 1854, fundaram a Santa Casa de Misericórdia.(.) A suas expensas, fundou-se o Hospício de Alienados.”Prevendo a morte próxima, o Barão de Serra Negra pediu e conseguiu licença eclesiástica para ser sepultado na capelinha da sua fazenda em Rio das Pedras. Quis um enterro sem pompa e com caixão modesto, dos que se usavam para sepultar indigentes. Em ritmo compassado e fúnebre, as bandas Azarias Mello e Carlos Gomes acompanharam o féretro. O caixão foi carregado, segundo vontade do Barão, pelos seus mais humildes empregados, incluindo ex-escravos. Deixou, por testamento, bens para a Santa Casa, o Hospício Barão de Serra Negra, o Hospital de São Lázaro e para a Matriz de Santo Antônio.

O comércio cerrou as portas, as sociedades locais hastearam bandeira a meio pau. Ao lado do caixão, os representantes da Societá Italiana, gratos pelo apoio que o Barão dera aos migrantes italianos. Caetano e Mateo Carmignani, que já se destacavam em Vila Rezende, ajudaram a carregar o caixão. Eram sinais de pesar e de luto pela morte do benemérito de Piracicaba. Mas luto também por um tempo que ia chegando ao fim, anunciando o Século XX que, também, já se foi.

Descendência

A descendência do Barão de Serra Negra, através de seus 10 filhos, continuou influindo por muito tempo nos destinos de Piracicaba. Eram eles:

1 – Ana Cândida de Rezende, baronesa de Rezende, casada com Estevam Ribeiro de Rezende, Barão de Rezende e filho dos falecidos Marqueses de Valença;

2 – Dr.João Batista da Rocha Conceição, casado com Maria Nazareth Rocha, filha do Conselheiro Antonio da Costa Pinto e Silva, cuja família viria a unir-se à dos Pacheco e Chaves;

3 – Dr.Francisco Júlio Conceição, casado com Ana Monteiro de Barros, filha de Rodrigo Antônio Monteiro de Barros;

4 – Dr.Antonio Augusto da Conceição, casado com Laura Corrêa Conceição;

5 – Manoel Ernesto da Conceição, casado com Maria (Baby) Rezende Conceição;

6 – José Flávio Conceição, casado com Angelina Silveira da Conceição;

7 – Júlio Conceição, casado com Mariana de Freitas Conceição;

8 – Francisca da Conceição Correa, casada com dr. Adolpho Corrêa Dias;

9 – Angelina da Conceição Leitão, casada com dr.Torquato da Silva Leitão;

10 – Maria da Conceição Morato, casada com o dr.Francisco Antonio de Almeida Morato.

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