Ruas famosas, nomes encantadores

Foto: Alessandro Maschio/Olhares

Piracicaba, nascida da generosidade do rio, foi abençoada por sua própria gente desde meados do Século XIX, numa consciência ecológica prematura e uterina. Primeiro, com Luiz de Queiroz. Que arborizava a Cidade, que trazia mudas de plantas exóticas da Europa. Ao lado do Parque Sachs — mas anterior a este — à beira do rego d’água que ainda existe, Luiz de Queiroz plantara uma alameda de palmeiras imperiais, no extremo das quais se instalara o coreto musical. Eram palmeiras tidas como filhas da palmeira-mater plantada por D.João VI no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, mudas que D.Pedro II trouxera para plantar também em Piracicaba, exemplares que existiam no jardim da casa do Barão de Rezende, onde foi o prédio da Prefeitura, na rua São José. (As palmeiras foram derrubadas na segunda administração de Luciano Guidotti). Luiz de Queiroz e o Barão de Rezende foram plantadores entusiastas das “palmeiras imperiais”, fazendo-o também em suas próprias mansões.

Era um grande quadrilátero de harmonia paisagística: as amoreiras (“Morus Alba”), logo após a Ponte Nova — hoje, Rebouças — em direção ao Algodoal; a alameda de bambus à entrada do Engenho Central, os jardins do Sanatório São Luiz, criado por Lydia Rezende para abrigar tuberculosos (hoje, Instituto Baronesa de Rezende, na Vila do mesmo nome); goiabeiras na rua do Porto, onde o povo passava as tardes de domingo colhendo frutas com suas cestas a tiracolo e vendo as lavadeiras bater-roupa nas pedras onde se suavizavam as corredeiras do Salto, à frente da chamada Casa do Povoador.

Faziam-se piqueniques no Mirante sobre o salto do rio Piracicaba, nos grandes espaços da Fazenda São João da Montanha onde se construiria a nova escola agrícola. E, num passeio que se revelava deslumbrante – mas audacioso, dadas a distância e as matas que precisavam ser enfrentadas – ia-se ver a cachoeira do ribeirão Piracicamirim, nas terras da fazenda e futura ESALQ. Os rapazes, quando só entre si, nadavam nus naquelas águas limpas, saltando em cipós e de cima das pedras. A bela Piracicaba tinha lugares esplêndidos para passeios e encontros. Até as mais poderosas famílias paulistanas, com suas vastas propriedades no município, sabiam como gozar das delícias que Piracicaba oferecia.

Ruas famosas: das Flores, da Palma, da Praia…

Em 1900, as principais ruas de Piracicaba tinham, quase todas elas, outros nomes. Alguns, poéticos. Mesmo aquelas cujos nomes haviam sido alterados com o advento da República eram, ainda, chamadas pelos nomes antigos. Para identificá-las e relembrá-las, uma breve relação:

Rua Alferes José Caetano era “Caminho Velho do Pau Queimado”, Rua do Pau Queimado, sendo também identificada por alguns como Rua da Pocinha;

Rua Benjamin Constant era Rua da Glória, terminando no alto da Paulista onde havia a rua do Encosto, de despejo de lixo;

Rua da Praia é a Rua do Porto; Rua Direita, a rua Moraes Barros; Rua dos Pescadores, a rua Prudente de Moraes; Rua Esperança e depois Boa Esperança, a rua D.Pedro II; rua das Flores, a rua 13 de Maio; a rua da Palma (que é o nome de um Presidente da Província de São Paulo) é a rua Tiradentes; o Largo de São Benedito foi Largo do Circo e Largo do Cemitério da Ordem;

A rua Boa Morte foi Rua do Vigário e Rua do Miguelzinho. Duas denominações — Boa Morte e Miguelzinho — são devidas ao fato de o artista Miguelzinho (Miguel Arcanjo Benício de Assunção Dutra) ter criado a Igreja da Boa Morte naquela rua.

Pelos lados da Rua do Porto, havia, ainda, ruas com nomes sugestivos mas em lugares não mais identificados: ruas do Piolho, da Barroca, do Pito Aceso, da Bica e outras. Situadas também em lugares não identificados havia as ruas da Alegria, da Palha, da Cachoeira, do Taboão.

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