Uma “classe preta” piracicabana

Foto: Hélio Borges Mattos/Olhares

Coisas – hoje, para nós, inacreditáveis – aconteciam com naturalidade difícil de ser compreendida. O preconceito era aberto, declarado. Incluindo de pessoas notáveis e esclarecidas, como Leandro Guerrini. Para ele – como, também, para os brancos em geral, acreditamos – a raça negra nada mais era do que a “classe preta”.

Para se ter idéia do absurdo da época, transcrevemos trechos de um artigo de Lenadro Guerrini, no dia 2 de outubro de 1928, com o pseudônimo “Lau de Lino”:

“A classe preta de Piracicaba, salvo pequena excepção, há muito que se tornou um agrupamento que honra a cidade. Dizemos assim porque, em se nomeando a classe preta, gente parece que desunida por índole, formando uma casta heterogênea e vivendo quase à parte da sociabilidade commum, nos vem à mente a vida um tanto nômade “desses filhos dilectos do Brasil”, segundo o poeta. A classe preta da cidade é uma bonita excepção à regra. Seus indivíduos são perfeitamente sociáveis e a prova disso está na pujança da Sociedade Beneficente 13 de Maio, uma agremiação, sem favor algum, das mais ricas de Piracicaba. ”

E referindo ao jornal “O Patrocínio”, da Sociedade 13 de Maio, Leandro Guerrini escreveu: “Não é preciso ser perspicaz para descobrir os benefícios dessa folha. Forçando os interessados à leitura, traz-lhes, pouco a pouco, uma elevada intenção moral, que é justamente o que ainda falta um pouco à classe negra do Brasil.”

Preconceito racial, portanto, era pouco!

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