Eugênio Luiz Losso

1898-1974

Inserido na vertente do “Realismo Erudito” da Escola de Piracicaba, segundo o crítico Umberto Consenti no, Eugênio Luiz Losso foi um notável paisagista, cujo estilo neo-clássico sofreu significativa influência do impressionismo napolitano, herança do tempo em que estudou na Academia de Belas Artes de Nápoles, com o grande impressionista italiano Eugênio Vitti. A pintura de Eugênio Luiz Losso, infelizmente, é pouco conhecida, pois nunca vendeu seus quadros e hoje praticamente toda sua obra encontra-se com a família.
Sua única obra de acesso público é a “Santa Ceia”, que encontra-se na Igreja São José, na capela á direita da nave principal da igreja, em Piracicaba-SP.
Primeiro filho de José Rosário Losso, italiano imigrado ao Brasil, e Antonietta Losso, Eugênio Luiz Losso nasceu, quase por acaso, na cidade de Jundiaí, onde seus pais se encontravam a passeio, em 23 de maio de 1898. Fez seus estudos primários no Grupo Escolar “Barão do Rio Branco”, em Piracicaba, quando mostrava aptidão invulgar para o desenho. Aos 13 anos, desenhava em crayon um retrato do então deputado e conhecido politico, Dr. Paulo de Moraes Barros, o qual, tendo sido exposto numa vitrine do centro da cidade, chamou a atenção de todos pelas qualidades artísticas. Estimulado pelo próprio retratado, graças a seu traço invulgar para o desenho, seu pai decide enviá-lo à Itália para completar seus estudos secundários e desenvolver suas aptidões artísticas. Assim, em 1912, Eugênio Luiz Losso embarca com destino à Roma, onde inicia seus estudos na Academia de Belas Artes daquela cidade. Estudou na Itália com Pio lóris, Dei Bona, Dorsi e com o grande paisagista napolitano Nicola Fabricattore, muito conhecido no Brasil, por ter realizado exposições em São Paulo e no Rio de Janeiro, havendo retratado, inclusive, típicas paisagens de São Paulo, no início do século. Mas foi na Academia de Belas Artes de Nápoles que moldou seu estilo próprio, com recorrente uso da luz, mesclando o estilo neo-clássico com pinceladas impressionistas. Essa influência é fruto das lições de seu grande mestre, Eugênio Vitti, um dos maiores expoentes da escola impressionista napolitana, participante ativo de movimentos vanguardistas de sua época. Para sua época, pode-se dizer que Eugênio Losso era um colorista, tal era a importância das cores e da luz nos seus quadros. Um critico da época assim se referiu ao pintor: “o que impressiona, antes de tudo, nos trabalhos de Losso, é o colorido forte. O artista transplanta para a tela, com felicidade, o delírio de cores existente na tropicalidade das nossas matas” (Folha da Noite, São Paulo, 09/01/1934).
Muito embora tivesse sólida fomlaçâo acadêmica européia, os críticos são unânimes em afirmar que Eugênio Losso tinha um estilo muito pessoal, o qual suplantava as influências das escolas tradicionais de pintura, não limitando seus horizontes estilísticos, “podendo (Losso) ser o que é e não o que lhe ensinaram a ser” (Correio de São Paulo, São Paulo, 20/12/1933).
Excepcional desenhista, seu traço é límpido e espontâneo, o que lhe permite, em suas telas, manipular e até abusar do uso da cor e da luminosidade, retratando paisagens com um sentimentalismo e lirismo invulgar, extrapolando o realismo neo-clássico, estilo no qual se alinhava a pintura de seus contemporâneos piracicabanos. As suas obras refletem a paisagem de Piracicaba, um pouco de Jundiaí e, sobretudo, Niterói e Rio de Janeiro, fruto de suas viagens em visita a seu irmão mais novo, Fortunato Losso Netto, então estudante da Faculdade Fluminense de Medicina, em Niterói-RJ. As molduras de seus quadros eram cuidadosamente feitas pelo próprio pintor, esculpidas em gesso, com aplicação de ouro em folha, uma a uma. Eugênio Losso também exerceu magistério de desenho, por concurso público, nas Escolas Normais de Itapetininga e São Carlos, de 1926 a 1930 e até 1939, na Escola Normal Sud Menucci, em Piracicaba. Em 1953, ao lado de Archimedes Dutra e David Antunes, organizou o I Salão de Belas Artes de Piracicaba, do qual foi um dos fundadores. Sua primeira e última exposição individual teve lugar no Palácio das Arcadas, em São Paulo, de dezembro de 1933 a janeiro de 1934, quando expôs 78 (setenta e oito) telas de de sua autoria, pintadas no Brasil entre 1927 e 1933. Desgostoso por não ter conseguido vender seus quadros nessa exposição, não obstante ter sido a crítica muito favorável, Eugênio Losso diminuiu sensivelmente sua produção artística até que, lamentavelmente, aposentou precocemente sua carreira como pintor, época em assumiu a gerência do Jornal de Piracicaba, cargo que exerceu até sua morte em maio de 1974.

(Marcelo Batuira)

Obras

Praia de Boa Viagem
1933 / Niterói -RJ
óleo s/ tela – 51×43 cm
Acervo particular de Marcelo Batuíra

Flamboyant Vermelho Florido (no parque da Esalq)
190 / Piracicaba-SP
óleo s/ tela – 38 x 38 cm
Acervo particular de Marcelo Batuíra

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