O perdão da mãe

Maria Tereza de Lima teve também um causo a esse respeito, diretamente ligado a sua família. “Acontece que quando o meu pai se apaixonou pela minha mãe, ele era mais novo e bem mais rico que ela. E minha avó sempre foi uma mulher autoritária, não permitia de maneira nenhuma o casamento. Disse que se ele fizesse isso, ela jamais o perdoaria enquanto ele vivesse”.

Pois é, mas confirmado as suspeitas de que o amor às vezes é mais forte do que essas repressões, o pai da Maria Tereza acabou se casando mesmo, mas antes teve que fugir de sua cidade e vir para Piracicaba. “Mas eu sempre percebia que mesmo estando certa da sua decisão, ele guardava a mágoa de ter causado um desgosto pra sua mãe. Porque a minha avó nunca veio nos visitar e nem fez questão de conhecer os netos”.

Até que chegou uma época em que seu pai começou a ficar muito doente, mesmo ainda sendo bastante jovem. “Então um dia ele morreu. Foi uma coisa que me marcou demais, porque eu vi tudo acontecer. E me lembro que ele pediu a minha mãe que avisassem logo a minha avó e que ela o perdoasse”. Maria Tereza diz que mal recuperadas da emoção, estavam pensando em como avisar a mulher. Foi quando algo inesperado aconteceu.  “Bateram na porta e eu fui atender, era uma senhora. Perguntou quem eu era e disse que era minha avó. E perguntou se era verdade que ele morrido. Eu não entendi como ela sabia mas disse que coração de mãe sabe tudo e nunca se separa do filho. Só que ela foi muito brava com a gente, disse que tinha certeza que nós iríamos acabar mesmo matando o seu filho e foi o que aconteceu.

Passado algum tempo, Maria Tereza diz que voltaram a receber a visita da avó, mas dessa vez de maneira diferente. “Ela disse que queria esquecer o que passou e revelou que meu pai apareceu várias vezes para ela pedindo perdão, só assim ficaria tranquilo. E isso fez com que ela mudasse bastante sua atitude, não diria que ela é muito chegada, mas pelo  menos nos trata com respeito. Isso só porque depois de morto ela soube entender o filho”.

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