Antônio Carlos Gomes

Antônio Carlos Gomes

De forma indireta, Antônio Carlos Gomes tem vínculos de origem com Piracicaba. O maior dos compositores brasileiros nasceu em Campinas (SP), no dia 11 de julho de 1844, de família muito ligada à música. Seu pai, Manoel José Gomes, músico afamado, foi casado em primeiras núpcias com Maria Inocência do Ceo, que foi organista de igrejas em Piracicaba em 1829. Maria do Ceo e Manoel José Gomes separaram-se, sendo Antônio Carlos Gomes filho dele em segundas núpcias.

Seus primeiros estudos foram feitos na sua cidade natal onde, aos 18 anos, compôs uma missa que foi executada na principal igreja de Campinas. Sempre inquieto, costumava excursionar pelas cidades do interior ao lado de um irmão, também, músico, executando uma obra que já o tornava famoso em São Paulo: o “Hino Acadêmico”. Apaixonado pela música, contrariou a vontade da família e, enfrentando muitas dificuldades, foi estudar no Conservatório imperial do Rio de Janeiro onde, conhecendo as obras de Rossini, Bellini, Donizetti e Verdi se deixou influenciar por esses grandes autores.

Em 1860, escreveu duas cantatas e, em 1861, estreava no Teatro Lírico do Rio de Janeiro com a sua primeira ópera, “A noite do Castelo”, com libreto do espanhol José Amat. Em 1863, o sucesso de sua ópera “Joana de Flandres” abriu-lhe as portas da Europa, quando obteve de D.Pedro II a bolsa de estudos que o levou a Milão. Em 1870 – depois de algumas obras de sucesso relativo – veio a consagração internacional com “Il guarany” (“O Guarani”) que sacudiu os alicerces do La Scala de Milan e, a partir daí, os grandes teatros da Europa. Em seguida, viriam outras obras consagradas: “Lo Schiavo”, Maria Tudor, Condor, Oratório Colombo. Além de óperas, compôs modinhas e canções com letras italianas e pequenas peças para piano, entre as quais a comovedora “Quem sabe?”

Com a queda da monarquia, Carlos Gomes continuou prestigiado pelos líderes da nova República. E, assim, em 1896, aceitou dirigir o Conservatório Musical de Belém, no Pará, cidade onde veio a falecer poucos meses depois, em 16 de setembro. Estava consagrado como o maior compositor e regente do Brasil, com respeito internacional. Sua obra e seu prestígio o transformaram no músico de mais destaque das Américas no século XIX.

Autoria: Cecílio Elias Netto

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