Nhô Zé e Dr. Zezinho: Botica do Zé

O texto abaixo foi publicado em novembro de 1987 no semanário impresso A Província. Recuperamos para lembrar os 30 anos de atuação em Piracicaba.

botica

Como toda Província que se prese, também na nossa existe uma Botica, que vende de tudo, até mesmo remédios.  A Botica do Zé todavia tem uma característica mais importante pois é onde encontramos todos os fins de tarde, ou no início de noite, quando cessa o horário comercial; e lá estamos nós, alguns pacatos, outros nervosos, alguns conservadores, a discutirmos sobre tudo, desde futebol a política, de sofismas inúteis a abobrinhas.

Por isto, num dia destes, começamos a falar sobre os pretensos donos da província, razão de uma manchete da Província (este jornal).

Concluímos que os donos inexistem, como inexistem sequer posseiros, mas que existem alguns grileiros, que nada produzem a si próprios como cargos e bons salários, além de outras coisas mais.

Contudo, se nada produzem, apregoam que produzem para o povo (este coitado povo, costa quente de toda demagogia existente na Província), — mormente agora, num ano que antecede a lide eleitoral.

E surgem, dizendo-se conscientizadores do ignaro povo, para manipulá-los, com promessas de ouro, sabendo não lhes poder dar pedra.

E surgem outros grileiros, donos do saber, que querem ensinar o povo (mais uma vez o coitado), como se deve ele entender o sistema político, seja nacional estadual ou, principalmente, municipal.

Surgem ainda aqueles que se arvoram em apresentar ao povo (olha ele outra vez), mais uma obra, dando margem à pergunta: onde estão as outras?

E assim, grileiros e mais grileiros, querem estes pseudodonos, dominar e ditar regras à Província, esquecendo-se que os provincianos são estes pensantes, inteligentes e conscientes, que lhes darão o troco no momento certo, porque a negadinha não é boba. E quando a discussão pegava fogo, o Zé resolveu fechar, por hoje, a Botica.

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