Maria ou Sto. Antônio?

Em Piracicaba, a devoção a Nossa Senhora dos Prazeres tem um significado também histórico. Por muito tempo, houve confusões e dúvidas quanto ao orago da cidade: se a Virgem dos Prazeres, se Santo Antônio. A questão foi definida oficialmente há pouco tempo. No entanto, a lenda da briga de Nossa Senhora com Santo Antônio atravessa séculos, fazendo parte do folclore piracicabano.

A lenda remonta, ainda, à época da povoação. O Capitão Geral da Capitania de São Paulo, Luiz Antônio de Souza Botelho, o Morgado de Mateus, determinou, a Antônio Corrêa Barbosa, fosse levantada a primeira capela da povoação. Datada de 26 de julho de 1770, a ordem foi clara: “Vmce procurará o melhor sítio, na frente da praça principal, e delineará de modo que possa servir mais tarde de Capela Mor, a todo tempo que quiserem acrescentar o corpo da Igreja para fazer freguesia. A invocação há de ser de Nossa Senhora dos Prazeres, minha Madrinha e a Padroeira da Minha Casa, e a sua imagem há de ser colocada no altar mor(…)”

Assim foi executado. Mas Antônio Corrêa Barbosa queria que o orago fosse Santo Antônio, seu padroeiro. Certa noite em sua ausência – de viagem que fizera a Itu – a imagem de Nossa Senhora dos Prazeres desapareceu do altar. Surgiu, então, a lenda: a Virgem, magoada, foi carregada por quatro anjos. E, na curva do rio, lançou anátema sobre Piracicaba: “Esta nunca será uma cidade grande.” A imagem de Santo Antônio foi entronizada e o santo se tornou o orago de Piracicaba.

Pelo visto, não foi maldição da Virgem, mas uma bênção: Piracicaba não se tornou uma cidade grande, mas se fez uma grande cidade.

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