O jogo do bicho

Instituição nacional, tolerado em algumas regiões, combatido em outras, o “jogo do bicho” faz parte do cotidiano do brasileiro. Piracicaba não escapou a seu fascínio. Desde o final do século XIX, piracicabanos dedicavam-se à “fezinha”. Nos últimos tempos, ficou famoso o “banqueiro do bicho” Gibão, que foi antecedido, no entanto, por casas lotérias famosas e respeitáveis antes de o jogo ser proibido. Entre eles, estiveram José Rosário Losso, Arthur Stolf, Armintos Raia, que, depois, dedicaram-se a outras atividades. Famoso foi o Chalé Paulista, de todas as loterias e também do jogo do bicho.

O jogo foi criado pelo mineiro de Itabira-do-Mato-Dentro, o Barão de Drumond (João Batista Vianna Drumond). Sócio do Visconde de Mauá, o Barão de Drumond foi o fundador do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, em 1888. No ano seguinte, com as conturbações políticas que levariam à República, o Zoológico começou a passar por sérias dificuldades. A verba era de apenas 10 contos de réis anuais, cortada em 1892 pelo Marechal Floriano da Fonseca.

Um dos auxiliares do Barão de Drumond era um mexicano, Ismael Zevada, que “bancava” um jogo, na rua do Ouvidor, conhecido como “jogo das flores”, que eram numeradas de 1 a 25 (1, amor perfeito; 2, açucena, etc.) para que as pessoas apostassem. A idéia foi levada aos bichos do Zoológico, que foram numerados também de 1 a 25, anotados em 25 quadros. No ingresso, havia desenhado a figura de um bicho. Um deles era guardado numa caixa. Às 15 h., abria-se a caixa e quem tivesse o ingresso com a figura do mesmo bicho ganhava 20 mil réis. A freqüência aumentou tanto por causa daquele “jogo do bicho” que até a polícia precisou intervir.

A partir da idéia do Barão e de seu auxiliar, o Rio criou casas apostadoras que se alastraram pelo Brasil, criando – se se fugir da discussão sobre a legalidade do jogo – um riquíssimo folclore, com sonhos e crendices populares.

Deixe um comentário