Retratos das tradições piracicabanas: Maria da Mala.

Maria da Mala, magra e miúda, andar preguiçoso e silencioso, arrastando as chinelas “havaianas”, sem eira nem beira, um melancólico disfarce de mulher. Nos anos 70, ela estava sempre de mala em punho, como quem vai viajar, perambulando pelas ruas e praças da cidade ao longo dos dias, sob o sol canicular ou abrigando-se da chuva embaixo de uma marquise, sem pensar em resistir à própria sorte, com a passividade de uma pena conduzida ao sabor do vento.

Maria da Mala ganhou esse apelido, porque nunca foi vista sem a sua bagagem. Louca, mas de uma loucura inofensiva, nunca incomodou ninguém. Dormindo em qualquer canto, nunca procurou o albergue noturno.

Seu trajar, uma mistura de simplicidade, sempre foi de impecável limpeza. O único afazer, não era outro, senão procurar uma bica d’água ou a barranca do rio para tomar banho, quase não escondendo as vergonhas, e lavar a roupa suja…

Os estudantes diziam-lhe galanterias, as quais ela acreditava. Isso era um gosto para os rapazolas que frequentavam o antigo Café Haiti, na rua Moraes Barros, próximo à Praça da Catedral.

Maria sonhou grandes romances de amor…ou talvez os tenha vivido …

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