A Piracicaba que Antônio Oswaldo Ferraz previu. E acertou.

….”Piracicaba tem problemas urbanísticos urgentíssimos, cidade à espera de solução. De maneira principal, o urbanismo trata dos meios de circulação das cidades, da estética das avenidas, ruas e praças, da higiene profilática coletiva, das zonas industrial e comercial e da construção de bairros residenciais.

As empresas particulares têm pensado na boa moradia dos seus empregados. A Fábrica

Aretusina fez edificar um bairro residencial para seus operários, a Vila Boyes. Mas houve um erro na localização da Vila. Ao invés de ficar nas imediações da fábrica, situou-se num local retirado da cidade e de difícil acesso. Muito logo, a Prefeitura precisa ligar uma das ruas da cidades até essa Vila.

Muito bem localizada se acha a Vila Jardim, iniciada pelo Engenho Central. O dr. Jean Balbaud, seu diretor e moço dinâmico e capaz de empreendimentos felizes, traçou um projeto de vila com casas confortáveis e higiênicas. Casas bem construídas, magnificamente iluminadas e arejadas, forro de estuque, assoalho encerado e jardinzinho na frente. A Vila Jardim, depois de pronta, terá 160 residências.

Piracicaba também precisa de um bairro residencial. Este deve ser iniciado nas imediações da Santa Casa e ir se expandindo pela Avenida Independência, tão bem traçada pelo seu admirável ex-prefeito Febeliano da Costa. A Praça José Bonifácio, além de ser alongada até o prédio da Caixa Econômica, necessita de algumas árvores ornamentais e de algum colorido ofertado por flores de tintas estridentes. Nenhuma praça, nenhum jardim, é formado unicamente

duma monotonia de grama.

Piracicaba necessita cuidar melhor de seus jardins, ainda poderia expropriar um parque fechado da Família do Dr. Kok, situado em frente da Igreja de Vila Rezende, e construir ali um logradouro público. Vila Rezende, que é o maior parque industrial do município, bem merece um

maior impulso social e estético.

Sérgio Milliet (NR:o mais importante crítico literário brasileiro à época.) nos disse uma ocasião: ‘Nem na Suiça vi coisa tão bonita como este bosque, onde está o Mirante’! Por que não aproveitá-lo da melhor maneira possível? Embelezá-lo , construir nas suas proximidades um restaurante bem organizado. Seria um ponto de atração para os turistas. Essa idéia, do ex-prefeito Jorge Pacheco Chaves, é uma das mais interessantes que temos ouvido.

Teríamos, em seguida, uma avenida beira-rio. No centro da cidade, um teatro. Na Prefeitura, um departamento de cultura. Porque necessitamos, além de uma biblioteca, de uma universidade popular, dum teatro de amadores, dum centro de estudos históricos, geográficos e de folclore.

E a Catedral? Que se construa a Catedral. A nossa velha matriz de Santo Antônio precisa ser substituída por um templo que reflita o progresso do século. Mas seria magnífico se fosse um templo gótico, que se coadune mais com o sentimento religioso, ou se fosse um templo cubista, que se harmonize mais com a época….

Agora o lado econômico: como despender tanto dinheiro em Piracicaba? Estimule-se o emprego dos capitais que se encontram nos pés de meia e façam- se dívidas. Dívida nunca matou ninguém…”

(Publicado por Antonio Osvaldo Ferraz, no Diario de Piracicaba, em 14/3/1946)

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