Minhas memórias de Piracicaba antiga (5)

Ninguém saberia dizer ao certo o motivo de ter sido criado o “Dia do Rico” pelo pessoal do Ginásio do Sud Mennucci. Existiu durante três anos, se não me engano, mas não tinha data fixa. Depois deixou de existir sem mais aquelas. Nesse dia todos os rapazes iam de terno, gravata, charuto no bolso… para mim era fácil, pois fumava cachimbo por essa época.

 

Nesta foto que escolhi (tenho várias), alguns nomes estão ainda na memória, mesmo que nunca tenha mais visto esse pessoal, com ressalva ao Waldemar Rocha Campos e Rubens Pilli. Cheguei a me encontrar com o Murilo Graner e o Grande Eduardo Sebe, mas uma ou duas vezes apenas. Gente fabulosa de bacana.      Nem sei quantos ainda resistem aos tempos.     No verso da cópia tem a data: 04/05/1953. Putz! Já lá se vão 56 anos, corridos como o vento.     Vivo dizendo que, se fôssemos panelas, pelo menos estaríamos com lugar garantido em alguma vitrine de algum Museu.     Pelo que muito vagamente eu me lembro, sobre a instituição do Dia do Rico, um dia estávamos discutindo no pátio, em aula vaga, sobre a rivalidade existente entre os alunos do Sud Mennucci e do Colégio Piracicabano. Um de nós dizia que os alunos daquela escola achavam que os alunos do Sud eram pobretões. Acho que foi isso: despertou em todos o desejo de uma espécie de “resposta  provocativa”, feita por gozação, já que nunca tivemos qualquer tipo de ressalva a fazer aos provocadores, a não ser o fato de que a turma tentava entrar no Sud e, não conseguindo, aceitava  entrar no Colégio mesmo. Daí surgiam provocações diversas, mas respeitosas, sempre toleradas com certo ar de galhofa por nós, pouco interessados realmente em demonstrar posses. E olha que tinha gente riquíssima no Sud. Só hoje as escolas públicas foram avacalhadas ao ponto de, quem tem dinheiro, matricular em qualquer escola particular, mas jamais numa pública. Nunca soube de atritos violentos entre os alunos.     Até o logotipo do Colégio passou a ser gozação para nossa turma: um rato daquela HQ que se chamava “O POSSANTE”, nem ao menos disfarçado.     Nós disputávamos o tamanho e a coreografia das fanfarras. Primeiro o Supino (década de 40) e depois o Pilli (década de 40 e 50), organizadores da fanfarra, conseguiram nos tornar invejáveis até para outras cidades tradicionalmente campeãs em número de instrumentos, desempenhos de cadências e evoluções; times de basquete, vôlei, atletismo… tínhamos excelentes desempenhos nessas coisas, mas nunca conseguimos ganhar deles em natação. A gente morria de inveja da piscina do Colégio.     Os tempos mudaram, de lá para cá. Hoje o nível da Escola pública em geral, mesmo as que não funcionam com o Regime Modular, caiu tanto que pode ser, afinal, que tenha algum fundo de verdade em tudo isso. Bons tempos o dessas lembranças.

1- Eduardo Sebe

2- Waldomiro (Vavá)

3- Paulo Sergio Bergamin

4- Murilo Graner

5- Rubens Pilli

6- Waldemar Rocha Campos

7- Wladir (eu)

8- Esly

9- Celso

10- Eduardo Salles

11- Raul Nechar

12- Fordinho (apelido)

13- Jaburu (apelido)

4 comentários

  1. Linneu Stipp em 04/02/2013 às 23:17

    Negadinha do A Provincia

    Saudosismo mata…

    Esse compadre Wladir sempre vem com novidades…

    Tive um grande amigo o Antonio Sperandio, fomado no Sud Menucci, depois veio para São Paulo, prestou vestibular na USP, sem precisar estudar, passou…

    Trabalhou na Folha, ganhava o suficiente para pagar um quarto de pensão… almoçava na Folha…

    Levava uma vida de rico….

    Ele me arranjou uma pensão para que eu pudesse me alojar nas plagas provincianas, logo na augusta e majestosa rua Augusta… Era um sobradão amarelo, proprio para pensão um corredor terreo e outro superior…

    Ao preencher a ficha de hospede com a proprietária, Dona Lola, logo descobri que era caipiracicabana…

    Depois fui morar em outra pensão um pouco mais acima, mais organizada…ali encontrei um riopredense o Nelson Rosamilha, estudante da USP tempos da rua Maria Antonia, e um representante da cidade de Amparo, Ariovaldo Peterlini, professo do Mackenzie e de um colegio de freiras na rua 3 rios…

    Esse ultimo quando brigava com a namorada filha de industrial, ficava nosso amigo, até o proximo retorno…

    E um dia, um certo dia, eu o Rosamilha jantamos em um daqueles restaurantes de pobre da São João e Ipiranga, depois passamos por um bar da Avenida São Luiz, compramos charutos, e fomos andando andando, o termino foi no quarto do Peterlini, um muquifo bem pequeno cheio de livros e um radio escuta da Bandeirantes….

    A chave? ora a chve a gente sabia ondo o teacher escondia….

    Não preciso dizer a bronca que o professor deu altas horas da noite, pela invasão o delicioso perfume de charuto…

    E os dentes? não tinha escovação que eliminasse o cheiro…

    E nessa época, não havia bafômetro …

    Portano seu Wladir, não venha contar vantagem pois aqui na provincia, nós caipiracicabanos eramos terriveis…

    Lembrando, antes de ser expulso por seu Cecilio, grande jonalista e preclaro caipiracicabano, na pensão da dona Lola, a gente aprontava…

    Logo no terceiro dia de permanencia na benemerita pensão esconderam o meu colchão… recepção de uns energumenos cariocas e goianos…

    Eles se arrependeram… de verdade…

    • Nelson rosamilha em 25/12/2013 às 21:35

      Este Nelson Rosamilha, era meu pai, agradeço muito por compartilhar esta historica, nunca tive a oportunidade de ouvir isto dele

  2. Maria em 02/04/2013 às 23:18

    Após ler estas deliciosas memórias percebi que encontrei o caminho para minhas buscas.
    Preciso de ajuda para encontrar livros ou textos que falem da imigração portuguesa em Piracicaba.
    Preciso encontrar descendentes da familia Estevam. Posso contar com a ajuda dos senhores?
    Cristina

  3. Esly Rocha Mello em 20/10/2013 às 16:06

    Solicito a gentileza de alterar o nome da pessoa anotada sob nº 8 como Eterli para o nome correto que é Esly. Grato pela atenção e providências.

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