A busca do PETRÓLEO em Águas de São Pedro (II)

O petróleo existe e a Petrobrás precisa ver isso

Só depois de absolutamente convencido da realidade feliz foi que o engenheiro Andrauss tornou públicas suas pesquisas, reclamando da Petrobrás a perfilagem elétrica do poço para comprovação oficial de sua descoberta ou redescoberta. E também a imprensa e os homens públicos de nossa terra foram alertados e se interessaram decididamente pelas pesquisas. Imprensa, prefeitura, legislativo, associações, políticos, enfim todos os órgãos representativos da opinião pública se levantaram para apoiar o trabalho extraordinário do mágico Roberto Andrauss, pressionando, por todos os meios, o governo federal a tomar conhecimento da ocorrência e tratá-la com o devido carinho e a máxima presteza.

Não foram em vão os apelos, antes produziram efeitos relativamente rápidos e até surpreendentes em face de nossa sempre emperrada burocracia estatal. A perfilagem elétrica foi feita e o estudo geológico da região se processou com relativa rapidez, do que resultou, em menos de um ano, a escolha do magnífico planalto da Fazenda Pitanga para localização da sonda pioneira do petróleo, na região que há 30 anos era indicada para palco de tão estrondosa façanha.

É de inteira justiça incluirmos, nesta onda de apelos para as pesquisas petrolíferas da região, os nossos queridos vizinhos de Rio Claro, onde a imprensa e os homens públicos desencadearam eficiente e rumorosa campanha que deve ter tido influência decisiva na efetivação das medidas postas em prática para o início da perfuração. Rio Claro, como Piracicaba, Limeira, Charqueada e São Pedro, tem profundo interesse nos resultados positivos das pesquisas e ainda há de ver coroados seus esforços e anseios, não só porque a atual sondagem já se faz quase nos limites artificiais traçados pelo homem ao seu município, como porque dos estudos geológicos procedidos já surgiu também a indicação do bairro da Assistência como local apropriado à instalação de uma sonda.

O que todos nós almejamos, aliás, é que toda a região estudada pelos geólogos abrigue em suas entranhas um grandioso e abundante lençol de ‘ouro negro’, do qual jorrem rios de petróleo suficiente para matar a fome, ou melhor, a sede de combustível liquido que está atormentando o colossal dinamismo dos paulistas.

Pitanga – um símbolo que ficará na história

Que o destino tem seus caprichos provou- o bem o que aconteceu com a Fazenda Pitanga, propriedade atual dos Irmãos Meneghel, cujas atividades agro-industriais, de elevado vulto, por sinal, estão concentradas na usina de açúcar e álcool denominada Tamandupá e situada no velho bairro do Recreio. Suas terras, em grande parte semi-arenosas, não são das mais férteis. Contudo, já foram bastante propícias à policultura e agora estavam demonstrando boa capacidade de adaptação à cultura canavieira, graças aos modernos tratos de preparo mecânico e de adubação. Em SUaS largas lombadas, de altitudes que permitem descortinar horizontes amplíssimos, os canaviais já se estendem a perder de vista, garantindo os futuros suprimentos da usina fumegando lá em baixo. Tudo indicando a rotina do mar verde das qüeimadas, dos cortes, dos tratos culturais, do replante. Tudo girando em torno do açúcar e do álcool.

Eis que, de repente estoura a bomba: por baixo do lençol verde dos canaviais existe o lençol liquido e negro do petróleo. Reviravolta completa no destino. A fazenda Pitanga, modesta, desconhecida, sem nenhuma expressão para a publicidade, saiu, inesperadamente, de um marco zero, cômodo mas humílimo, subindo aos galarins da fama, ganhando as culminâncias de um ponto de referência para o qual se voltam as atenções do Brasil todo e até dos estrangeiros. Pitanga não é mais apenas uma fazenda, mas o local predestinado de uma região da qual deverá jorrar o petróleo e, por isso, um símbolo que ficará na história de nossa luta pela conquista do ‘ouro negro’. E os poetas ainda deverão cantá-la, com rimas ou sem elas, apontando-a como a matriz generosa de riquezas fantásticas.

A sonda pioneira – um monumento no descampado

Um desfecho ainda provisório deste raconto acha.se inteiro escrito no amontoado gigantesco de máquinas, de motores, de grades, escadas, peneiras, correias e correntes e da tôrre monumental encimada pela Bandeira Brasileira tremulando ao vento, tudo pintado de amarelo viyo e brilhante. A impressão que se tem do conjunto perfuratriz estabelecido naquele alto descampado é de grandiosidade e confiança. Os técnicos e trabalhadores contribuem eficazmente para reforçar essa impressão, pela segurança e serenidade com que trabalham ou dão explicações aos visitantes. Ninguém sai daquele monumento erguido no descampado da fazenda Pitanga sem levar o espírito repleto de otimismo, de certeza, de confiança absoluta no êxito da pesquisa.

Diante daquele monstro amarelo de ferro e aço que atordoa pelo ruido poderoso dos motôres, a pessoinha dos visitantes encolhe-se meio assombrada – como puderam vir até ali aquelas enormes peças? – mas fica convencida, orgulhosamente convencida, de que o petróleo vai jorrar. “E, sem querer, curva-se reverente para agradecer a Deus dàdiva de tamanhas proporções …”

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