As primeiras damas de Piracicaba

“A hora que a mulher se ocupar para a sua beleza será o momento maus sagrado da via dela”. A afirmação foi de Amélia Guidotti, esposa do ex-prefeito Luciano Guidotti.

Na ocasião da entrevista, quando tinha 75 anos, Amélia falou à PROVÍNCIA da responsabilidade de ser a primeira dama do município. Do marido falou: “Ele era muito justo, queria tudo certinho e, você sabe, em política isso não existe… Mas se ele desapropriava uma casa para construir uma avenida, ele construía uma casinha para a família morar, não a deixava na rua”.

Amélia conheceu Luciano em Rio Claro, onde morava. A união durou 40 anos. Segundo ela, Luciano vinha de família pobre, humilde. Mas ao lado dele, ela conheceu o mundo, passeou bastante.

Ser primeira dama requeria empenho, dedicação e jogo de cintura. Amélia tirou de letra tudo isso. Participava de festas, inaugurações, jantares.

Duas vezes

Ladice Salgot Castillon foi primeira dama de Piracicaba por duas vezes, e sempre procurou preservar a vida particular da família.

A segunda vez que o marido foi eleito marcou muito. O país vivia sob regime do AI-5 e corria boato, desde a eleição, de que Salgot seria cassado. E o foi. Ficou a frente da Prefeitura de Piracicaba por oito meses.

Em sua casa, Ladice acompanhava tudo angustiada. “Sofri muito com a injustiça que ele sofreu”, admitiu.

(Mas) No fundo mesmo, ela sentiu um certo alívio com a cassação. Nunca gostou de política e muito menos que seu marido se enfronhasse nela. Nunca foi um cabo eleitoral de Salgot, mas depois que ele foi eleito nunca saiu do lado dele.

Nilde e Eunice

Nilde Ferraz de Arruda também não gostou que o marido, Nélio Ferraz de Arruda, se dedicasse à política. Mas não conseguiu evitar e, quando percebeu, ele já estava dentro, como vice de Luciano Guidotti, com a morte do prefeito, assumiu a prefeitura desempenhando o cargo por cerca de oito meses.

No início, Nilde sentiu-se um pouco insegura, mas em pouco tempo já colaborava com o marido indo a inaugurações, festas em creches onde distribuía presentes de Natal. Paralelo a isso, mantinha outras atividades: coordenava os trabalhos de casa, continuava ministrando aula e resolvendo os problemas que surgiam na família, já que mal dava para conversar com o marido que passava dia trabalhando pela cidade.

Já Eunice Coury foi primeira dama num período de um ano e meio. Seu marido substituiu Salgo Castillon. Ela se lembra que a “rivalidade” política na época era grande. Alberto, por exemplo, assistiu a uma passeara de protesto porque colocou hidrômetro nas casas. “A ideia dele não foi bem recebida” – contou Eunice, explicando: “Ele achou que as pessoas que tinham piscina, por exemplo, tinha que pagar mais que aquelas que não tinham”. Alberto pediu então para que Eunice não saísse de casa enquanto o ânimo da passeata não se acalmasse.

Rosa Maria

“Antes de ser a Primeira Dama do município, faço parte de um grupo político”. Foi a frase de Rosa Maria Bologna Maluf, que era também presidente do Fundo Social de Solidariedade, criado a nível estadual no Governo Montoro.

Rosa Maria gostava de política e acreditava nessa ciência para se conseguir atingir um objetivo. Até seu casamento foi um processo político ou, como ela prefere dizer, “um marketing político”. Rosa e Adilson já namoravam há algum tempo e, com as eleições de 1972, discutiam a possibilidade de Adilson conseguir eleger-se pelo PMDB. Casaram-se em outubro daquele ano.

Depois das eleições, ela diz que não sentiu nenhuma modificação em sua vida. Deixou a profissão de professora para poder acompanhar o marido nos eventos sociais, até que sentiu necessidade de começar um trabalho seu. O primeiro foi a realização de cursos com voluntários, visando o ser humano.

Membro do Diretório do PMDB na época, disse que tudo o que conseguiu foi por “muita luta”. Mas que nunca havia pensado em ter um cargo político e que tudo que fez foi trabalho de bastidor para o marido.

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