Heróis da Pátria, piracicabanos mortos em 1932

O primeiro piracicabano a morrer no campo de batalha foi Ennes Silveira Mello (foto). Filho de José da Silveira Mello e Malvina Sampaio Mello, Ennes nascera em 27 de novembro de 1905. Era solteiro e agrimensor. Ele pertencera ao primeiro batalhão de voluntários e tomava parte na Frente Norte dos combates, em proteção da Fazenda Moraes e Queluz. No dia 15 de agosto de 1932, estava, com outros soldados, construindo um abrigo contra aviões na trincheira onde se encontravam. Tudo estava calmo, não havia batalha. Ennes saiu da trincheira para buscar taquaras que camuflassem a defesa quando foi atingido por rajadas de metralhadora que, na véspera, tinha sido montada, pelo inimigo, numa moita. Levado para o Hospital de Sangue de Cruzeiro, morreu no dia 17.

A morte de Ennes Silveira Mello acendeu ainda mais o fervor patriótico em Piracicaba. A mãe de Ennes, dona Malvina, em vez de se lamentar a morte do filho, convocou a juventude para continuar a luta. Para o lugar de Ennes Silveira Mello, apareceram mais 50 voluntários.

Morreram também na Revolução de 1932 os voluntários piracicabanos Alexandre Petta, Antônio de Barros, César Claudionor Barbieri (que era nascido em Bariri), Francisco Honório de Souza, Jorge Jones, Jorge Zohlner, José Homero Roxo, José Soares, Louro de Barros Penteado, Natal Meira Barros, Prudente Meirelles de Moraes (filho do dr.Antonio de Moraes Barros), Romário de Mello Nery, Silvio Cervellini, Lamartine Mariano Leme, Plácido Barbosa, Virgilio Gomes e Walter Scanglione.

Em 1938, sendo Luiz Dias Gonzaga prefeito, Piracicaba homenageou os seus heróis com um monumento que se ergueu na praça José Bonifácio, ao lado do então Teatro Santo Estevão. A obra foi elaborada pelo escultor Alfredo Coluccini, tornando-se o Monumento aos Voluntários de Piracicaba, com versos do célebre poema de Francisco Lagrecca.

Em 1980, o então prefeito João Herrmann Neto determinou que todos os monumentos fossem retirados da praça. O fato criou forte reação junto aos piracicabanos que, em ação judicial, conseguiram que o monumento retornasse ao lugar de origem.

Desde a revolução de 1932, tornou-se como que um ritual cívico piracicabano o de prestar homenagem aos seus mortos naquele movimento constitucionalista. Ainda no século XXI e quase 80 anos depois, famílias dos combatentes e dos falecidos rendem homenagens aos heróis daquele movimento cuja memória voltou a ser celebrada no Estado de São Paulo.

2 comentários

  1. Ennes Silveira Mello em 18/03/2015 às 14:07

    Sou sobrinho direto de ennes, tenho seu nome em homenagem ao tio morto naqueles dias em que nasci. sou arquiteto e gostaria muito de saber coisas dele e de seus companheiros… Estou no email, no facebook, google entre outros, agradeço qualquer contato, ennes.

  2. Maurício Silveira Mello em 08/07/2016 às 16:49

    Boa tarde , no dia 09/07/2016, haverá solenidade, em memória dos ex-combatentes, na Praça José Bonifácio, aqui em Piracicaba-SP.
    No Jornal Gazeta de Piracicaba , saiu uma reportagem a respeito dos ex- combatentes, mas não havia o nome do Ennes Silveira Mello.
    A pedido da assessora do Vereador João Manuel ,para que se houvesse algum ex-combatentes, não para citado na reportagem ; que entrassem em contato. Foi o que fiz, entrei em contato com a assessora e com a redação do Jornal Gazeta.
    Meu Avô, se chamava João Benedicto Silveira Mello, e era primo do Ennes.
    Pena que seja amanhã, já a solenidade.
    Vou estar lá, para prestigiar a homenagem.
    Forte abraço. …

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