Memória – Centro Cultural Martha Watts (14)

Reproduzimos, em capítulos, um pouco da história da missionária metodista norte-americana Martha Watts e do Colégio Piracicabano – trajetórias que influenciaram a educação do Estado de São Paulo, no final do século XIX. Este conteúdo foi reunido na publicação que comemorou a inauguração do Centro Cultural Martha Watts.

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O arquiteto urbanista Hélio Dias também foi o responsável pela concepção do projeto inicial do Centro Cultural Martha Watts.

A revitalização do prédio do Colégio Piracicabano foi composta por dois processos paralelos: recuperação da história e dos costumes, em conjunto com a tipologia arquitetônica do prédio (especialmente a externa e a de alguns

espaços estratégicos internos), vigentes no início do século 20; e atribuição de novo uso para o espaço, que passa a abrigar o Centro Cultural Martha Watts.

Um processo dinâmico

Para a empreitada iniciada em 2000, alguns instrumentos foram decisivos na reconstituição das referências: levantamentos hipotéticos das primeiras plantas; documentação fotográfica; entrevistas com ex-alunos; as cartas de Miss Watts, felizmente ricas em detalhes; doações de muitas famílias; entre outros.

O arquiteto urbanista Hélio Dias, coordenador do Centro Cultural, também foi o responsável pela concepção do projeto inicial do Centro Cultural e a consequente adequação física do prédio ao novo uso do espaço. Ele conta que várias intervenções foram necessárias no sentido de adaptar o prédio. Foi preciso tornar o espaço mais livre, com circulação feita por elevador panorâmico, escadas e rampas permitindo acessibilidade às pessoas com dificuldades motoras. Outro elemento importante contemplado pelo projeto foi a interatividade.

O arquiteto mostra como uma nova linguagem foi criada para o prédio, expressa no diálogo do antigo com o novo: “o antigo permanece gravado na tipologia externa, no espaço físico e nos vários ambientes internos recriados; e o novo é visualizado pelas intervenções e adequações que proporcionaram o atual uso do prédio, agora como centro cultural”. O moderno se revela, particularmente, na tecnologia exigida pela área técnica do projeto, como climatização e iluminação específicas, além de um sistema interativo de multimídia.

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Bolsa e leque doados por ex-alunos para o Museu Jair de Araújo Lopes.

Esse diálogo também se faz ao longo de todo o percurso da visita. A sala multimídia, com apresentações de material histórico informatizado, por exemplo, dá acesso a um mergulho no túnel do tempo, por meio de sons e imagens que conduzem aos ambientes recriados das salas das antigas diretoras Miss Watts e Miss Stradley. Outra versão desse mesmo princípio é a interação da permanência da memória com o dinamismo de atividades diversas como: exposições temporárias, acervos para pesquisa, oficinas, atividades culturais periódicas numa programação dirigida tanto para a comunidade em geral, quanto para especialistas.

Interatividade

“Interatividade é peça chave nesse diálogo do moderno com o antigo. Ao apenas observar um quadro e partir, o visitante fica só com a retenção visual da experiência. Mas, ao ouvir, paralelamente, um relato sobre a obra, entre tantas outras referências, é possível ampliar a percepção e o interesse pelo objeto”, acredita Hélio Dias. E essa é a linguagem contemporânea de centros culturais em todo o mundo. Um espaço para atividades múltiplas, que disseminam a cultura em seus variados aspectos. O arquiteto lembra que o conceito de Centro Cultural teve origem no modelo francês, adotado a partir da criação do Centro Nacional de Arte Contemporânea Georges Pompidou, conhecido como “Beaubourg”, em Paris, no ano de 1977.

Acompanhe outros capítulos da história da missionária metodista norte-americana Martha Watts e do Colégio Piracicabano, seguindo nossa hashtag Memória Martha Watts.

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