Quando erguia-se o gigante da praça

Fotos de Paulo Ribeiro da Silva

Nada mais acertado do que escolher o nome do maior pioneiro de Piracicaba para um edifício que também seria pioneiro no arrôjo de transformar a fisionomia urbana de nossa cidade.

Era o conjunto arquitetônico que a COMURBA estava edificando, a passos decididos e largos, na Praça José Bonifácio. Era, antes de tudo, um símbolo perfeito e eloquente de pioneirismo.

Foi considerado o produto de uma das maiores conjugações de esforços dos piracicabanos para a realização de uma obra monumental.

Ele indicava que aquele ardor visionário pelos empreendimentos arrojados – que fez de Luiz Vicente de Souza Queiroz o maior e mais atuante pioneiro de nosso progresso – continuava vivo nos piracicabanos, impulsionando-os a novas lutas e novas conquistas.

Por isso, certíssima e feliz a iniciativa dos diretores do COMURBA em dar ao maior edifício de Piracicaba o nome do pioneiro Luiz de Queiroz, e, ainda mais, fazê-lo solenemente, no dia maior cidade, 1º de Agosto, e justamente quando piracicabanos saldavam sua enorme dívida de gratidão, erigindo ao grande homem, na mesma Praça José Bonifácio o simbólico monumento que o relembrará eternamente.

A fim de que se tenha uma concepção mais aproximada do que seria o Edifício Luiz de Queiroz, a Revista Mirante reproduziu dados fornecidos na época por Raul Coury, presidente da Comurba. Leia na íntegra:

“Um belíssimo conjunto arquitetônico, abrangendo numerosa concentração de área para diversas finalidades: comercial, cinema, escritórios, residências. A disposição, porém, obedece a forma tão perfeita que dá absoluta independência às aludidas áreas que, conservando a necessária harmonia entre si, estabelecem a mais perfeita harmonia do todo.

No pavimento térreo, teremos as lojas, em número de 16 que dá para o passeio externo (passeio coberto por marquise protetora em toda a extensão do prédio) ou para a rua de circulação interna, que se desenvolverá em curva suave pelo interior do conjunto, ligando a Praça José Bonifácio à rua São José. Tais lojas terão altura de 5,80m. o que permitirá a disposição de mezaninos ocupando 113 da área das lojas. Destas, uma se destinará a Banco e outra, de forma ideal, acomodará uma sorveteria e bar com a vantagem da colocação de mesas na calçada e em parte da galeria. A maior vantagem de que gozarão as lojas será a de servir a galeria para sala de espera para o cinema, de maneira que elas serão sempre visitadas por grande e selecionado público. As lojas ocuparão uma área de 1040m2 e os mezaninos 300m2.

Ainda no andar térreo teremos um cinema a ser construído dentro dos mais avançados requisitos para uma moderna sala de projeção. A tela panorâmica poderá ter até 19m e a sala comportará 998 poltronas, magnificamente instaladas, com bastante conforto para o espectador. De qualquer ponto da sala o espectador terá perfeita visibilidade e o formato da construção promoverá uma sonorização ideal. Haverá duas amplas e ricas salas de espera, além da enorme galeria externa que servirá de ante-sala. Ademais, acresce que sua existência, em meio a várias áreas com funções diferentes, não perturbará em nada a vida normal do conjunto e sua posição, no fundo do terreno, favorecer-lhe-á esplêndida harmonização com o todo. A área ocupada pelo cinema será de 930m2. Para o primeiro andar está prevista a construção de um restaurante que será magnificamente instalado pela excelente disposição do salão, pelo arejamento perfeito e pelo jardim suspenso ao seu redor. Teremos ainda no primeiro andar 5 ou 6 amplos salões, que podem servir para lojas ou para instalação de amplos escritórios comerciais.

Os escritórios serão dispostos em 10 pavimentos, com área de 560m2 por andar e um total de 5.600m2. Todos os escritórios terão frente para a Praça José Bonifácio, gozando ainda de ótimo ângulo de insolação, ou seja pela face do nascente. As dimensões dos escritórios serão determinadas pela própria modulação da estrutura dividida de 7 em 7 metros. Poderão, contudo, ter o tamanho e a divisão desejados pelo proprietário.

As instalações sanitárias serão independentes.

Os apartamentos residenciais, em número de 4 por andar, ao todo 40, terão sua entrada isolada pela rua Prudente de Morais, com circulação independente das outras áreas do conjunto. Todos os apartamentos, com vista para a praça não serão devassados por qualquer outra, dependência do conjunto.

Um sistema de elevador e escada servirá a cada dois apartamentos, havendo possibilidades de usar-se outro elevador por uma passagem externa. Compor-se-ão os apartamentos de sala, três dormitórios, banheiro, cozinha, banheiro para empregada e área de serviço.

GARAGENS: O sub-solo será destinado a uma amplíssima garagem para acomodar 54 veículos, dividida em compartimentos independentes, separados uns dos outros por tapumes especiais. A circulação e acesso serão facílimos, possibilitando manobras rápidas e seguras.

A estrutura do conjunto foi projetada francamente simples e, portanto, econômica. Apesar da diversidade de funções das áreas construídas, a estrutura será mantida continua em todo o seu desenvolvimento. A modulação dos vãos, com 7 metros nos escritórios e 6,5m nos apartamentos, cooperará diretamente na simplificação do esquema estrutural, trazendo grande flexibilidade aos espaços a serem vendidos”.

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