Gigante que não pára de crescer

Em 25 de janeiro de 1934 era criada a Universidade de São Paulo (Decreto estadual n. 6.283). Surge do nada? Bastou uma simples assinatura oficial? Não, foi muito bem pensada.

Inúmeras faculdades ou escolas de nível superior, isoladas, foram incorporadas para dar início à USP. Da capital, a secular Faculdade de Direito (Largo de São Francisco, criada em 1827), a Faculdade de Medicina (Bairro Pinheiros, em 1891), a Escola Politécnica (1893), a Faculdade de Odontologia e a Faculdade de Ciências Farmacêuticas (ambas em 1898), a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (1911), e, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (1934) vieram compor a USP em seu início. Porém, sua criação tratava de uma universidade paulista e não paulistana, de tal sorte que a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (criada em 1901), localizada no interior (Piracicaba), também foi incorporada à primeira universidade pública paulista.

Não parou por aí. Tempo correndo, universidade crescendo. A partir de 1934, outras unidades de ensino foram criadas, principalmente na capital. E, o interior paulista também mostrava presença com a incorporação de novos campi além do de Piracicaba. Em 1948, com a criação da Faculdade de Medicina surgia o Campus de Ribeirão Preto, hoje com mais 7 unidades; simultaneamente, o Campus de São Carlos com a criação da Faculdade de Engenharia, hoje com mais 3 unidades e, ainda, neste ano, com a criação da Faculdade de Odontologia de Bauru. De repente, três novos campi surgem no interior do estado se juntando ao Campus de Piracicaba. Mais tarde, em 1992, era estabelecida, em Pirassununga, a Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos e, recentemente (2006), foi incorporado à USP, a Faculdade de Engenharia de Lorena.

Hoje são 40 unidades de Ensino, sendo 24 na capital e 16 no interior do estado. Mas a USP não fica restrita às unidades de ensino, pois tem outros seis Centros e Institutos Especializados sendo dois no interior (Centro de Biologia Marinha em São Sebastião, e o Centro de Energia Nuclear na Agricultura em Piracicaba), a administração de Hospitais e Serviços Anexos como o Hospital Universitário da Cidade Universitária (1976) e o de Ribeirão Preto (1986), e, o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (1967), de Bauru (Centrinho). Registram-se, ainda, os Museus como o de Arqueologia e Etnologia (MAE, 1964), o de Arte Contemporânea (MAC, 1963), Paulista (MP, incorporado à USP em 1963) e o de Zoologia (incorporado em 1969).

E, acabou? Não. Como gerenciar este gigante sem a existência de Órgãos Centrais e de Direção e Serviço? Por exemplo, foram criadas as Prefeituras nos Campi e, também, os Centros de Informática na capital e no interior, as Pró-Reitorias de Pesquisa, Graduação, Pós-Graduação e a de Cultura e Extensão Universitária, inúmeras coordenadorias, a Editora da USP, e, enfim, inúmeros órgãos assessores na busca da excelência no pleno atendimento do tripé da universidade (pesquisa, ensino e extensão universitária). E, teria muito mais para registrar, mas estaciona-se por aqui tal o gigantismo do que é a USP nos dias de hoje.

Tal vigor e empreendedorismo tinham que dar no que deu. Não é à toa que institutos renomados na avaliação de indicadores universais como o Webometrics Ranking of World 2008 e o Institute of Higher Education da Shanghai Jiao Tong University destaquem a USP como única universidade brasileira entre as 200 melhores ranqueadas mundialmente e o segundo lugar na América Latina e Caribe. Em 2008, chegou a este posicionamento porque ofereceu uma gama enorme de cursos de graduação (231 cursos e 57 mil estudantes) e de pós-graduação (225 programas em níveis de mestrado e doutorado, com 22 mil pós-graduandos). Além do mais, tem, atualmente, 1.900 grupos de pesquisa (em média, 4 pesquisadores/grupo), e, sua extensão universitária oferece um sem número de cursos de educação continuada, de atualização e de difusão, especialização, aperfeiçoamento, cultura, programas sociais e diversos serviços à comunidade.

Neste embalo, chega aos 75 anos. Pára por aqui? Missão cumprida para um gigante universitário? Que nada, longe de pensar em parar. Distante de pensar no “cria fama, deita na cama”. Jamais imaginar um gigante adormecido, vencido pela idade, chegando ao seu Jubileu de Diamante e estacionando no tempo.

Como gigante alcançou o tamanho ideal? Olhando sua dimensão temporal não teria como alongar sua missão? Irrequieta, desde o seu início, já vem se mexendo com os workshops da Comissão de Planejamento, colhendo de qualquer canto do estado em que a raíz USP se fixou, todas as sensações, percepções e expectativas para o “Planejando o Futuro: USP 2034”, marca registrada de seu século de existência, sempre perseguindo a excelência no ensino, pesquisa e extensão universitárias. Inquieta com a inserção e demandas sociais emergentes e carregando a bandeira da responsabilidade socioambiental, sua sustentabilidade se apoiará num dos lemas de seu planejamento estratégico que é o “Modelo de Universidade que se almeja para a USP”. Neste, com o foco no olhar social e público voltado para a sociedade que acreditou na semente lançada em 1934 e vem colhendo frutos desde sua criação. Agora, todos pensando o futuro, pois 2034 não tarda.

Prof. Evaristo Marzabal Neves

Membro representante do Campus “Luiz de Queiroz” na Comissão Executiva dos 75 anos da USP, Engenheiro Agrônomo – Turma 1966 e professor do departamento de Economia, Administração e Sociologia da ESALQ

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