O Papel Pioneiro de Piracicaba na Construção Fabril na Província de São Paulo (IV)

Figura 03: Acima: Engenho Central; nº 1: Empresa Hidráulica; nº 2: Usina Elétrica; nº 3: Fábrica de Tecidos Santa Francisca. In: RAVACHE, Hans. Planta da cidade de Piracicaba - 1916. Arquivo Museu Prudente de Moraes

Figura 03: Acima: Engenho Central; nº 1: Empresa Hidráulica; nº 2: Usina Elétrica; nº 3: Fábrica de Tecidos Santa Francisca. In: RAVACHE, Hans. Planta da cidade de Piracicaba – 1916. Arquivo Museu Prudente de Moraes

Após a decisão de fundar a Escola Agrícola na fazenda São João da Montanha, Luiz de Queiroz resolveu vender a Fábrica e sua residência, concentrando seus esforços em torno da montagem desta. Em 7 de outubro de 1897 a Santa Francisca foi vendida para o Banco (da República) do Brasil. Em 1902 os bens foram comprados por Rodolpho Miranda e a tecelagem passou a se denominar Fábrica de Tecidos Arethusina. Em 1912, a Fábrica foi vendida para a Sociedade Anônima Manufactora Piracicabana e em 18 de março de 1918 passou a pertencer à Boyes e Cia, sociedade composta pelos irmãos Herbert James Singleton Boyes e Alfred Simeon Boyes (Guerrini, 1970).

As fontes iconográficas datam do período da Fábrica de Tecidos Arethusina entre 1906 e 1911. O conjunto passou por sucessivas vendas e várias reformas a que as edificações foram submetidas, tornando difícil a percepção das características originais de suas tipologias e também a identificação das remanescentes do conjunto original, sendo que algumas foram reformadas e outras demolidas. Posteriormente o conjunto fabril foi reformado assumindo linhas Art déco. Atualmente encontra-se

fechada após a falência da Boyes e apesar de seu conjunto edificado ter sido tombado em nível municipal, juntamente com as edificações ribeirinhas da Rua do Porto, não há ações efetivas que garantam sua preservação, além das possíveis pressões imobiliárias na área.

Em frente à fábrica de tecidos (Figura 03) foi instalado o terceiro grande estabelecimento industrial de Piracicaba, o Engenho Central, numa época em que a economia agrária estava cada vez mais ligada à industrialização. Fundado pelo Dr. Estevão Ribeiro de Souza Rezende, futuro Barão de Rezende, que liderou um grupo de empresários piracicabanos para tanto. No dia 7 de janeiro de 1881 “foi lida uma representação de vários cidadãos deste município, requisitando informações por parte da Câmara, relativas ao estabelecimento de um Engenho Central, neste município, as quais, sendo dadas, determinou a Câmara que fossem transcriptas no respectivo livro, oferecidas pela comissão indicada” (Guerrini, 1970). O complexo industrial deveria processar toneladas de cana-de-açúcar, com muito mais rapidez que os artesanais engenhos movidos à força de mula, dando conta de uma enorme produção que seria alimentada por canas compradas de pequenos e grandes fornecedores.

Marcelo Cachioni
Diretor do Departamento de Patrimônio Histórico do IPPLAP Piracicaba-SP
Professor de Patrimônio Histórico na ASSER Rio Claro-SP e Técnicas Retrospectivas na FIEL Limeira-SP.

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