A HISTÓRIA QUE EU SEI (108)

A vitória de Herrmann
Foi, a de 1976, uma das mais pobres campanhas a que Piracicaba assistiu Sem motivações, sem grandes entusiasmos. Dentro da ARENA, repetiam-se, mais uma vez, as mesmas inabilidades e desentendimentos. O objetivo arenista, da mesma forma como ocorrera em relação a João Guidotti, passava a ser derrotar Romeu Ítalo Rípoli, ranços de um passado ainda recente. E, em meio a campanha, Rípoli, entusiasmado com a sua propalada vantagem, passou a cometer imprudências. Primeiro, tentando atacar a administração de Adilson Maluf, avisou que iria dispensar todos os engenheiros da Prefeitura, que a população acreditava serem muitos. Entusiasmado, Rípoli passou a dizer que iria dispensar, se eleito, não apenas engenheiros, mas cerca de 1.500 funcionários. E, em seguida, indispôs-se com os panificadores, anunciando a criação de “padarias municipais” nos bairros. A campanha de Rípoli desabou, faltando 15 dias para as eleições, crescendo a candidatura de Jairo Ribeiro de Mattos.

Enquanto a ARENA se retaliava, o MOB foi, vagarosamente, fazendo a sua campanha. João Herrmann Neto, como que brincando, saía pelas ruas dizendo que iria distribuir “camisinhas de Vênus”, maneira de provocar Romeu Ítalo Rípoli, tido e havido como garanhão irrecuperável. Américo Perissinotto e Jorge Martins capengavam, sem despertar entusiasmos. E, assim, se chegou ao dia das eleições e, quando as umas se abriram para a contagem de votos, lá estava, novamente, a tensão formada: o votado era Jairo Ribeiro de Mattos da ARENA, mas o MDB, como legenda, estava caminhando próximo, uma a uma, secção por secção.

A apuração foi emocionante e o resultado apenas aconteceu definitivamente quando da última uma aberta. Mais uma vez, a ARENA era vítima de seus próprios erros: nas mesas apuradoras, havia fiscais apenas da sublegenda de Jairo Ribeiro de Mattos, os de Rípoli não existiam e, pela sublegenda de Benedito Fernandes FaganeIlo, o fracasso da fiscalização era total. E havia um incidente que se tornaria decisivo naquelas eleições: Benedito FaganeIlo era candidato a prefeito pela ARENA e um primo seu, Antonio Femandes FaganeIlo, candidato a vereador pelo MDB. Todos os votos escritos com o nome Faganello – assinalados no espaço da cédula eleitoral reservado ao prefeito – passaram a ser contados para o candidato a vereador Antonio FaganeIlo. A apuração era confusa, desorganizada. O Delegado da ARENA, Geraldo Carvalhaes Bastos, chegou a impugnar uma secção toda, onde se encontraram 80 votos em branco contados para o candidato João Hemnann Neto. E o final da apuração, quase ao amanhecer, indicava os números finais: Jairo Ribeiro de Mattos era o candidato mais votado da ARENA, mas o MDB houvera conseguido maioria de votos por legenda, apenas 86 votos de diferença, e, assim, era o partido que elegia o prefeito daquelas eleições. O nome do mais votado no MDB e naquela eleição era o de João Herrmann Neto.

O pedido de recontagem de votos chegou a ser formulado pela ARENA, mas havia o impasse: qual dos candidatos deveria assiná-Io? Como Jairo Ribeiro de Mattos tinha sido o mais votado, decidiu-se que a recontagem deveria ser feita por ele e sua sublegenda. No entanto, Jairo Ribeiro de Mattos negou-se a pedir a recontagem dos votos. A aventura política, dentro do MDB, acabara dando certo. Os cerca de mil votos, obtidos pelo vereador Jorge Martins, revelaram-se decisivos para aquelas eleições. João Herrmann Neto era o novo prefeito de Piracicaba. Sem equipe administrativa, sem programa, sem objetivos definidos. E, na Câmara Municipal, problemas graves aguardando-o: a ARENA elegera a maioria dos vereadores, novamente; e o MDB, com os vereadores que elegera, não se mostrava disposto a dar sustentação a João Herrmann Neto.

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