A HISTÓRIA QUE EU SEI (109)

Colcha de retalhos
Muito se falaria de que João Herrmann Neto tinha um projeto socialista e socializante de administração municipal. Não foi verdade. Ao chegar à Prefeitura no dia 1º de Fevereiro de 1977, João Herrmann Neto não tinha qualquer projeto político para o município, a não ser idéias esparsas em relação aos bairros periféricos, que passara a conhecer melhor quando de sua passagem pela Secretaria de Obras. O seu estilo era marcadamente “populista” e foram muitas as dificuldades que encontrou para organizar o seu próprio secretariado. Tratava-se, na verdade, de uma colcha de retalhos. Mantivera homens ligados à administração de Adilson Maluf, como João Bastlio, José Aparecido Borghesi, José Lázaro Aprilante e Frederico da Rocha Nobre, que nunca se pautaram por alinhamentos ideológicos, muito menos socializantes. Apoiara-se em Amaldo Porta Woltzenlogel – que tinha sido seu auxiliar na Secretaria de Obras, e que fora sócio e fundador da Woltzmac, especializada em obras de calçamento de ruas – e em Paulo Augusto Romera e Silva, engenheiro-civil, este, sim, preocupado com as questões sociais e engajado em movimentos de esquerda. Para a secretaria de Administração, foi convidado o engenheiro-agrônomo Newman Ribeiro Simões, – que fora vice de Hermann quando de sua gestão no CALQ -, logo após os primeiros atritos com Frederico da Rocha Nobre. Para o SEMAE, fora convidado o também engenheiro Ricardo Bortolai; Alceu Marozzi Righetto para o que se chamaria Ação Cultural; Fausto Longo para a área de turismo. Tratava-se, assim, de um espectro que não permitia definir qualquer proposta socialista de João Herrmann Neto para a Prefeitura de Piracicaba.

 

O responsável pela guinada gradativa que o Prefeito João Herrmann Neto foi dando à sua administração era um professor da UNIMEP, especializado em Educação, Neidson Rodrigues. Um teórico socialista, militante de esquerda, Neidson Rodrigues foi, sem dúvida alguma, o homem que influenciou o Prefeito João Herrmann Neto à confusa e por assim dizer caótica orientação socializante que pretendeu dar à sua administração. Ao lado de Neidson Rodrigues, Enildo Pessoa – que havia sido secretário de Miguel Arraes, em Recife – militante e teórico de esquerda, responsável pela empresa PLANJETO que passou a assessorar o prefeito, seria outro de seus orientadores ideológicos. Algum tempo depois, seria a vez do advogado Antonio Gadelha. Formou-se, assim, ao longo dos primeiros meses da administração de João Herrmann Neto, toda uma cúpula de tendências socialistas, do PCB ao PC do B, passando pelo MR-8, vindo a agasalhar o incipiente esquerdismo da UNIMEP, com figuras como os professores Barjas Negri e Renato Maluf, dando-se, também, espaço às sementes do PT que seriam plantadas depois.

Na colcha de retalhos ideológica com que criou o seu secretariado, João Herrmann Neto – por força de seu próprio temperamento, autocrático e personalista – foi responsável por contradições chocantes: de uma proposta popular e transformadora que se mostrava à população, o Prefeito passava a agir com personalismo, fazendo o que lhe agradava e cometendo os excessos a que se dava direito, pouco se importando se a prática de sua atuação contradizia a teoria perseguida por seus assessores. João Herrmann Neto superava o estilo “guidotista” assumido por Adilson Maluf, adotando um comportamento “populista” muito próximo ao de Salgot Castillon. Não se podia ocultar uma realidade: tratava-se de uma nova e forte liderança política, mas confusa e contraditória.

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