A HISTÓRIA QUE EU SEI (119)

O Congresso da UNE
Em 1980, já se ouviam os gritos de “anistia já”. No Irã, impunha-se a liderança do Aiatolá Khomeini, após a queda do Xá Reza Pahlevi e, na Inglaterra, Margaret Tatcher fora indicada para Primeira Ministra. Israel e Egito estavam em paz, após o acordo de Camp David, em 1979. No Brasil, adiaram-se as eleições marcadas para 1980, acidente político que levou a novas articulações partidárias. O PT já tinha, também em Piracicaba, a sua comissão executiva provisória, presidida pelo professor da UNIMEP, José Machado. Foi, então, que a aliança entre Elias Boaventura e o Prefeito João Herrmann Neto se fortaleceu ainda mais: Prefeitura e UNIMEP decidiram, conjuntamente, sediar o 32o Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), que estava na clandestinidade, e que tinha sido planejado para realizar-se em São Bernardo do Campo. O líder estudantil e presidente do DCE da UNlMEP, Adelmo Alves Lindo (“Baiano”), articulara os entendimentos com o presidente da UNE, o estudante Rui César Costa e Silva.

A princípio, a realização do congresso, em Piracicaba, não encontrou maiores reações de entusiasmo, mesmo porque existiam, ainda, temores no ar, a perda do hábito de participações democráticas. A medida, porém, que se iam cristalizando os primeiros entendimentos, o entusiasmo e a vontade de participação passaram a caminhar em um crescendo, com a imprensa e rádios abrindo espaços e tempo para informações sobre o Congresso, envolvendo-se até mesmo setores tido como conservadores na cidade. A repercussão foi internacional. Elias Boaventura e João Herrmann Neto passaram a ser assunto em quase todos os jornais do país, ouvidos por agências e correspondentes estrangeiros. Além da audácia do patrocínio do evento, havia, também, um claro intuito de provocação e de desafio. Os tempos eram propícios para tais ousadias. O Reitor da UNIMEP, Elias Boaventura, atreveu-se a ir a Brasília convidar o Ministro da Educação, Eduardo Portela, para participar do congresso. Procurou, também, o Ministro da Justiça, Ibrahim Abi Ackel. A Prefeitura e a UNlMEP dispunham-se a arcar com custos e com a infraestrutura que se fizesse necessária. Estimava-se a presença de 10 mil estudantes…

• Continua

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