A HISTÓRIA QUE EU SEI (121)

A abertura do Congresso, compareceram, entre outros, o metalúrgico Lula, que dava início à organização do PT, o deputado Alberto Goldman, Farid Sawan, representando a Organização pela Libertação da Palestina (OLP), Kahaled Abdul, da Federação dos Trabalhadores Palestinos. Representantes de Cuba e da Nicarágua protestavam por não terem conseguido vistos para o Brasil. O deputado Pacheco e Chaves, saindo de sua linha de equilíbrio e moderação, fazia pronunciamentos tidos como audaciosos no Congresso Nacional. E, para surpresa de muitos, dois Ministros de Estado enviavam congratulações pelo evento: Ibrahim Abi-Ackel, da Justiça, e Murilo Macedo, do Trabalho. No “show” de abertura do Congresso, o 32º da entidade, participaram figuras conhecidas e populares da música brasileira: Gonzaguinha, Elba Ramalho, Sã e Guarabira, João Bosco, Ivan Lins.

Poucos incidentes ocorreram. Mas houve ameaças, creditadas ao Comando de Caça aos Comunistas, o famigerado CCC. Três casos de assaltos ou tentativas de agressões foram noticiados: nas residências do Bispo Metodista Oswaldo Dias da Silva, do pastor Nilo Belotto e do professor da ~ e dirigente do MR-8 José Américo Morelli. As revistas “Veja” e “Isto é” abriram páginas de cobertura jornalística ao evento. No entanto, o “Expositor Cristão”, órgão da Igreja Metodista, protestava através de um metodista piracicabano, Wesley Sucasas. E a revista “O Cruzeiro” – em sua derradeira fase, quando se tornara órgão oficial do governo Figueiredo – ridicularizava o evento, revelando apenas a faceta lúdica do Congresso, a grande festa da juventude. Criticamente, parte da imprensa brasileira destacava o que ela mesma passara a chamar de “Woodstock de Piracicaba”. Na realidade, foi, também, uma grande festa jovem, uma grande manifestação de alegria juvenil. Avaliava-se em 3 mil litros o consumo da “Cachaça da UNE”, doados por um fabricante local. E a imprensa, entre zombeteira e cética, comentava o painel que se instalara à entrada da cidade: “Welcome to the land of marijuana” (“Benvindo à terra da maconha”)…

O fato é que, com o Congresso da UNE, o Prefeito João Herrmann Neto firmou uma sólida aliança com a UNIMEP e deu a tônica do que viria a ser a segunda fase de seu conturbado mandato, uma administração que se voltava para efeitos externos, sem fôlego e estrutura para dar continuidade ao que se projetara para a “república socialista de Piracicaba”. Após o Congresso da UNE, Piracicaba haveria de dividir-se entre duas facções absolutamente irreconciliáveis: “conservadores” e “esquerdistas”. Com uma curiosa constatação: entre “esquerdistas”, havia, também, “conservadores”.

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